USP: Projeto do Hospital Universitário busca humanização do parto por meio de anestesia e associada

Medidas beneficiam parto normal

ter, 25/04/2006 - 11h44 | Do Portal do Governo

Promover um parto mais natural, tranqüilo e menos traumático para a gestante, com uma maior liberdade ao uso de anestesias. Por meio de uma série de medidas que visam uma humanização do parto associada à estrutura hospitalar, o Hospital Universitário (HU) da USP pretende melhorar o atendimento dado às mulheres grávidas e, conseqüentemente, diminuir o número de cesáreas feitas em sua estrutura, que hoje varia entre 25% e 27%.

O hospital vem passando por um processo de modificação que inclui desde um atendimento diferenciado até reformas no centro obstétrico. Melhor acolhimento das gestantes, acompanhamento e permissão da presença de familiares durante o parto, salas pré-parto mais confortáveis, e o uso de anestesia nos partos normais estão entre as medidas tomadas pelo HU para tornar o parto mais humano.

Anestesia

O médico Carlos Alberto Maganha, chefe do Centro Obstétrico do HU, explica que a aplicação de anestesia é a principal medida para aumentar o número de partos normais. “A maior parte das mulheres prefere a cesárea por medo da dor e por falta de informação. Nosso intuito é promover uma conscientização sobre os benefícios dos dois tipos de parto, além de disponibilizar a anestesia para 100% dos partos normais.”

Hoje cerca de 80% de todos os partos, incluindo normais e cesáreas, são assistidos pela anestesia. A porcentagem que fica de fora corresponde às gestantes que chegam ao hospital já em trabalho de parto avançado, às que preferem ficar sem anestesia, ou mesmo quando existe impossibilidade técnica para a realização da anestesia. “Com as medidas adotadas, nós dobramos a quantidade de partos normais anestesiados em um ano. Além disso, damos às gestantes o direito de não sentir dor, indo contra a mentalidade antiga de que é necessário sentir a dor do parto”, conta.

Diminuição de cesáreas Maganha conta que o número de cesáreas no HU já vem sendo diminuído. “Um ano atrás nossa taxa era de cerca de 30%, a mesma encontrada no Brasil em hospitais da rede pública. Nossa intenção é baixar para 20%.”

Apesar das medidas que beneficiam o parto normal, a intenção é fazer com que a cesárea volte ao seu intuito original. “Adotamos este procedimento nos casos indicados, como quando há riscos para o bebê ou à mãe, ou se esta já teve outras cesáreas. Queremos fornecer à gestante o tratamento mais adequado, com toda a assistência médica disponível”, afirma.

O parto normal proporciona uma melhor recuperação e, quando feito sem dor, é muito benéfico para a relação entre mãe e bebê, até mesmo para a amamentação. “Além dessas medidas internas, o HU pretende ampliar a divulgação dessas possibilidades na rede pública, para construir uma ligação desde o pré-natal. Por sermos um hospital universitário, temos a oportunidade de formar profissionais com essas práticas, que poderão ser propagadas em outros centros de saúde no futuro”, explica Maganha.

Da Agência USP

J.C.