USP: Campus Leste inicia segundo ano de atividades com novas instalações

Entraram em funcionamento os módulos didático principal e de biblioteca e anfiteatros

qua, 08/03/2006 - 11h42 | Do Portal do Governo

As obras da segunda fase do Projeto USP Leste, que custaram R$ 35 milhões, foram inauguradas no dia 16 do mês passado. As construções entregues, com quase 28 mil metros quadrados, representam mais de quatro vezes a área inicial da unidade. Com isso, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) está em condições não apenas de incorporar os 1.020 novos alunos, como também de garantir o pleno desenvolvimento das atividades de graduação nos próximos anos. As obras inauguradas são o módulo didático principal, com cerca de 18 mil metros quadrados; o módulo de giblioteca e anfiteatros, constituído de dois prédios, com 7 mil metros quadrados; e a expansão do módulo didático inicial, com 2,6 mil metros quadrados.

Na solenidade de inauguração, a reitora da Universidade de São Paulo, Suely Vilela, destacou a importância da convivência entre a academia e a comunidade e a natureza inovadora dos dez cursos da EACH – novas carreiras, ciclo básico e eliminação dos departamentos. Em entrevista, a reitora disse que anunciará brevemente a composição da comissão de planejamento estratégico encarregada de definir políticas para a universidade, tendo um grupo encarregado de tratar da inclusão social e, possivelmente, também dos vestibulares. A USP não utiliza o sistema de cotas, mas quer a inclusão pelo mérito. Para isso, pretende ajudar o aluno da escola pública a ter bom desempenho no ensino médio, o que será levado em conta na hora do vestibular. Essa comissão de inteligência da universidade será presidida pelo professor Glaucius Oliva, do Instituto de Química de São Carlos. Foram anunciados recursos de R$ 18 milhões destinados às obras da terceira etapa do projeto, que deverão estar concluídas até setembro.

Salas e laboratórios – O módulo didático principal abriga salas de aula, laboratórios, salas individuais de professores e serviços de apoio. Segundo o novo diretor da EACH, professor Dante De Rose Júnior, essas instalações vão atender a todas as disciplinas específicas do segundo ano e receber os laboratórios, que começam a funcionar neste ano. Os educadores, que estavam instalados em salas provisórias, passam a ocupar salas individuais, com capacidade para 175 docentes. São mais de cem, devendo chegar a 150 até o final do ano e a 220 na conclusão do Projeto USP Leste.

O professor De Rose observa que a questão dos laboratórios é complexa. Alguns atendem a cursos específicos; outros, a alunos de vários cursos, alguns, como os de química, necessitam de cuidados especiais para montagem e manutenção, em razão de produzirem rejeitos perigosos que exigem tratamento, descarte especializado e caro, além de licença de órgãos ambientais.

O diretor da EACH ressalta, ainda, que, em virtude dos equipamentos grandes e pesados, essa instalação requer estrutura elétrica apropriada e boa logística. Alguns laboratórios assemelham-se a pequenas fábricas. É o caso dos laboratórios de tecnologia têxtil, por exemplo. São máquinas pesadas que operam causando trepidação do solo e precisam estar afastados dos ambientes de aula e de outras pesquisas. Esse laboratório ainda não está montado e vai necessitar de equipamentos importados.

De Rose informa que estão garantidos recursos extra-orçamentários do Estado para o funcionamento tranqüilo da EACH neste ano. Há planos para captação de mais recursos por meio de agências de financiamento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Há, ainda, possíveis parcerias com indústrias para o desenvolvimento de projetos conjuntos. No recém-inaugurado módulo de biblioteca e anfiteatros, que abrange dois prédios, tem amplo espaço destinado à realização de exposições.

Novos alunos – O novo diretor da EACH diz que a demanda pelos cursos da USP Leste é crescente. De um ano para outro, dobrou o número de candidatos inscritos. A relação candidato/vaga, que era de 5,78, pulou para 12,5 em média. Os cursos mais procurados são os de Sistemas de Informação (20 candidatos por vaga) e Marketing (15 por vaga), seguidos pelo de obstetrícia (14 por vaga). Levantamento feito por ocasião das matrículas mostrou que 24% dos aprovados em 2006 são da zona leste da capital, número que sobe para 30% se forem considerados os aprovados residentes em cidades muito próximas de Ermelino Matarazzo – Carapicuíba, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos e Itaquaquecetuba. Os novos alunos são originários de 78 cidades, na maioria do Estado de São Paulo, especialmente das regiões do ABC e do Vale do Paraíba, mas há também calouros procedentes do Paraná e de Minas Gerais.

Ampla biblioteca – Rosa Tereza Tierno Plaza, diretora da biblioteca da USP Leste, anda atarefada nos últimos dias. Comanda equipe de três bibliotecários, cinco técnicos em documentação e informática e dois auxiliares, que logo será acrescida de mais dois bibliotecários, dois técnicos e um auxiliar. Todos estão ocupados com a transferência do acervo de 4,8 mil livros, revistas e outros itens da biblioteca provisória, de 200 metros quadrados, para o novo espaço, onde há salas para estudo em grupo, três anfiteatros (com 760 lugares no total) e instalações para a administração da Escola de Artes, Ciências e Humanidades. O novo prédio receberá as obras de uma biblioteca doada à EACH pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e os volumes de empréstimo e permuta com outras instituições. Se antes o espaço era apertado, agora é amplo, arejado e luminoso, com capacidade para receber até 100 mil volumes.

Segundo a diretora, uma biblioteca deve ser instalada aos poucos, porque custa caro, e com critério, para atender às especificidades dos cursos. “O mais difícil”, explica, “é montar a primeira bibliografia; depois, tudo segue sua rotina”. Por se tratar de escola pública, as compras – que incluem estantes e mesas – são feitas com recursos do Projeto USP Leste e se realizam mediante pregões, organizados pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da USP.

Não falta experiência a Rosa Tereza. Formada em Biblioteconomia pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, dirigiu por 17 anos a biblioteca do Instituto de Geociências. Uma de suas preocupações é organizar a central de atendimento aos estudantes portadores de deficiências auditivas e treinar equipe especializada para prestar esse serviço, que dará respostas pelo computador. Com essa finalidade, a diretora está em contato com o pessoal da Faculdade de Educação, que já faz esse tipo de atendimento. A biblioteca da USP Leste atende diariamente entre 200 e 300 consultas.

Miguel Glugoski, Do Jornal da USP