Trechos da entrevista coletiva do governador Geraldo Alckmin após entrega de obra do Complexo Viário

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sex, 06/04/2001 - 16h55 | Do Portal do Governo

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Repórter – Governador, a prefeita Marta ontem voltou a criticar a falta de parceria com o Estado e que o Estado está dificultando as parcerias. Como o senhor analisa essa crítica da prefeita?

Alckmin – Eu acho totalmente despropositada, porque nós sentamos para conversar dizendo o seguinte: ‘olha, nós não vamos fazer parceria que exija dinheiro da Prefeitura’. Então, a Prefeitura entra com o terreno. Ela encaminhou uma lista de terrenos. Para as áreas de enchentes, para construir piscinão, mas não tem nenhum em local adequado para fazer piscinão. Aliás, nós estamos fazendo seis piscinões no ABC e em todos os lugares as prefeituras doaram o terreno. Prefeitura até do PT. A última foi Diadema, a prefeitura desapropriou e doou o terreno e o Estado já está fazendo a obra. Nós precisamos de menos conversa e mais ação.

Repórter – Essa possível ida do prefeito de Osasco para o PSDB pode beneficiar a cidade em alguma coisa a mais? Ou o que já foi feito nessas parcerias, como o senhor falou da segurança, vai ficar a mesma coisa?

Alckmin – Não tem nenhuma razão, nenhuma relação entre filiação partidária e parceria em obras do Governo. Os 645 municípios, independentemente de sigla partidária, são tratados de maneira respeitosa. O que é de interesse público é feito, independente de sigla partidária.

Repórter – Governador, o plano de redução de consumo de energia do Governo Federal prevê que os Estados economizem energia em 15%. Como o Estado de São Paulo pode contribuir com esse plano?

Alckmin – O próprio Governo dando o exemplo. Eu vivo apagando a luz e puxando a orelha do pessoal dizendo: ‘olha, não deixem a luz acesa’. Nós estamos fazendo um plano para todas as secretarias de Estado. Vai desde escola, estacionamentos, prédios públicos, ou seja, o Governo dando o exemplo. Depois uma campanha para que a população participe, para que a população colabore. Na questão da água, por exemplo, no ano passado houve uma resposta muito positiva. Olha, vamos evitar fazer a barba com a torneira aberta, esses pequenos cuidados. E a população responde positivamente e ajuda nesses momentos de dificuldade.

Repórter – Governador, como o senhor analisa essa paralisação dos agentes penitenciários. Nós estamos próximos do fim de semana, que é quando tem as visitas, isso pode trazer algum tipo de problema? Como é que o Estado está se preparando para o fim de semana?

Alckmin – É preocupante. A greve foi pequena, ela não foi grande. Acho que houve bom senso. Não tem sentido fazer uma greve dessa numa área estratégica em termos de segurança pública, como é uma penitenciária. É uma área estrita de segurança, que dizer, totalmente descabida a greve. As negociações com as entidades de representantes de funcionários nunca foram interrompidas. Mas eu acho que o bom senso vai prevalecer. Acho que a greve deve se encerrar e as negociações caminham.

Repórter – Governador, a visita do primeiro-ministro da França vai ser apenas protocolar ou vai tratar de algum acordo comercial?

Alckmin – Não. Acho que ela (a visita) é muito importante. A França é o terceiro investidor do mundo no Estado de São Paulo. Tem investimentos importantes em todo o Estado de São Paulo. Mas nós vamos abordar essa questão dos investimentos já feitos no Estado, novos investimentos, o programa de privatização – as empresas francesas têm participado do programa, especialmente no setor elétrico -, possíveis cooperações na área universitária, do ensino, as questões agrícolas também. A França é fortemente protecionista dos seus produtos em prejuízo do produto brasileiro, do produto paulista. Acho que será uma reunião de trabalho importante.

Repórter – Como o senhor vê a questão da cobrança do uso do solo e do espaço aéreo por parte das empresas energéticas e de abastecimento?

Alckmin – Olha, isso é um assunto municipal. Se a legislação municipal permitir… é da competência do município o uso do solo.

Repórter – Governador, as obras do Rodoanel correm o risco de parar por falta de repasse de verba federal?

Alckmin – O Trecho Oeste do Rodoanel? Não, não vai parar não.

Repórter – Mas o repasse está atrasado não está?

Alckmin – O repasse está atrasado e São Paulo faz o que sempre tem feito: não deixar parar a obra, vai ajudando com seus recursos até chegar o repasse federal.

Repórter – O Estado está tocando a obra por conta própria?

Alckmin – O Estado está continuando com recurso próprio e adiantando esses recursos. Mas espero que os recursos do Governo Federal cheguem logo. Aliás, a obra era para ser 25% do Governo Federal, 25% da Prefeitura de São Paulo e 50% do Governo do Estado. Da parte da Prefeitura não entrou um centavo, então o Governo Estadual está bancando 75% da obra do Rodoanel.

Repórter – De quanto é essa verba do Governo Federal que está atrasada?

Alckmin – A liberação deste ano é que ainda não aconteceu, mas não é um atraso grande. A participação do Governo Federal neste ano no Rodoanel está em torno de R$ 80 milhões.

Repórter – Eles podem ser liberados ao longo do ano então?

Alckmin – Devem ser liberados ao longo do ano. O que o Governo do Estado faz? O Governo estabelece, por exemplo, que vai investir R$ 180 milhões e ele paga por duodécimo, todo mês 1/12, isso é o correto. Então você tem uma programação financeira: vou investir R$ 180 milhões, sendo 1/12 a cada mês. Infelizmente isso não acontece com o Governo Federal, que fica meio ano, às vezes, sem liberar nada, depois libera uma parcela. Para não diminuir o ritmo da obra, que está indo muito bem, o Governo do Estado tem antecipado em alguns momentos a parcela do Governo Federal.

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