Segurança: Treinamento de PMs é mostrado no Centro de Formação de Soldados

Psicologia e Direitos Humanos são algumas das disciplinas que os futuros policiais militares têm que aprender, durante a formação de dois anos

sex, 09/02/2007 - 21h20 | Do Portal do Governo

Para mostrar à sociedade os princípios ensinados pela corporação durante os dois anos de curso, sendo o respeito à vida o maior deles, a Polícia Militar recebeu a imprensa nesta sexta-feira (09/02) pela manhã, no Centro de Formação de Soldados (CFSd).

O curso para soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo tem duração de dois anos. Nesse tempo, dentre as aulas que os futuros soldados freqüentam, estão as de Direitos Humanos, Direito Civil, Sociologia, Psicologia, Pronto-Socorrismo, Policiamento Ostensivo, Educação Física, Medicina Legal e Criminalística e Tiro Defensivo.

Durante o primeiro ano de curso, o módulo básico é apresentado no Centro de Formação de Soldados, que na Capital, forma atualmente 1940 policiais por ano. Em todo o estado, as 32 unidades de formação possuem 5480 alunos hoje. As aulas do segundo ano proporcionam um contato direto com a rotina policial. Um dos procedimentos desta etapa do curso é o encaminhamento dos alunos para os batalhões da Polícia Militar, onde eles vivenciarão a ocorrência criminal.

Segundo o major Braga, durante o estágio nas unidades policiais, os alunos são avaliados por seus superiores por meio de uma Planilha Diagnóstica de Trabalho Operacional (PDTO), onde ficam registrados todos os procedimentos tomados pelo aluno nas diferentes situações que ele passou como soldado. “Existe uma padronização para abordagem dos criminosos suspeitos, que deve ser seguida por todos os policiais que são supervisionados”, explica o major.Disciplina rigorosa – “Não dá para acompanharmos tudo com onipresença”. Segundo o coronel Paulo César Franco, a disciplina na Polícia Militar é rígida e a punição para os PMs que fogem da conduta correta adotada pela corporação, será a expulsão da Polícia e, se necessário, a prisão. Para o coronel, “evitar 100% o erro é difícil”, mas a supervisão dos policiais é feita o ano todo.

Um procedimento importante adotado pela instituição é o estágio de aperfeiçoamento profissional. Uma vez por ano, durante uma semana, os PMs de todo o estado recebem aulas em que são apresentadas modificações que busquem a melhoria da abordagem policial. “Os batalhões enviam sugestões de temas importantes, ou de deficiências da instituição, que podem se tornar pauta para essa semana de aperfeiçoamento”, explica o major Braga.

Para demonstrar o procedimento correto de uma abordagem de portadores de droga suspeitos, 30 alunos e a imprensa assistiram sete alunos do CFSd encenarem. Quatro deles representavam os policiais, enquanto três fizeram o papel de civis.

Apesar de um deles portar drogas, em nenhum momento a arma foi apontada para os suspeitos, sendo o diálogo a principal atitude a ser utilizada na situação. Durante a aula prática é enfatizada a importância da verbalização, usando-se a arma apenas em situações de risco de vida.Método Giraldi – Há dez anos, o coronel Nélson Giraldi mudou as aulas de tiro da Polícia Militar. A partir do novo método, o policial aprende que o mais importante é não disparar a arma. “O tiro é usado como último recurso para defender a vida dele, das pessoas da comunidade e até mesmo dos agressores”, explica o tenente Júlio Maria Machado Rolim, instrutor das aulas de tiro no CFSd.

Os convidados de hoje assistiram uma aula de tiro defensivo, quando foram apresentadas todas as situações que os futuros soldados podem se deparar na realidade. “Os alunos ficam em alta adrenalina porque a pista provoca esta sensação de realidade”, conta o tenente.

Durante o primeiro ano do curso, os alunos passam por lições básicas, como reconhecimento e manuseamento da arma. Os tiros são testados em alvos padronizados e os alunos não passam por circunstâncias de alto estresse.

No módulo especializado, que é passado no segundo ano de curso, são montadas pistas policiais diferenciadas no centro de formação. Nessas aulas, alvos de papel, com desenhos diferentes, aparecem de surpresa na frente dos alunos para testarem a sua reação. Alguns desenhos representam uma pessoa com uma faca na mão, outros aparecem armados e com um refém; existem aqueles que são considerados alvos amigos, ou seja, pessoas inocentes que estão no meio da ocorrência e precisam ser afastadas para não se tornarem vítimas, e existem os alvos apontando a arma para o policial, representando um risco para a vida. “O nosso objetivo é cessar a agressão e não matar”, explica o tenente Rolim, sobre o princípio do método Giraldi.

Da Secretaria da Segurança Pública

(R.A.)