Segurança – Impacto da tecnologia da informação no aperfeiçoamento do serviço policial

Seminário internacional discute assunto em São Paulo

qui, 14/09/2000 - 17h58 | Do Portal do Governo


Durante segundo e último dia do I Seminário Internacional sobre Modernidade e Eficácia da Instituição Policial (Simepol), no Memorial da América Latina, o tema abordado foi a utilização da tecnologia da informação no serviço policial.

O coronel James Hawkins, chefe da Divisão de Investigação Criminal de Baltimore (Estado de Maryland, EUA), destacou a importância do mapeamento e comparação dos dados da criminalidade para se estabelecer ações eficientes contra os vários tipos de crimes que ocorrem em áreas diferentes. ‘Conheço o sistema que está sendo implantado em São Paulo e acho que o que está sendo feito, como a interligação de dados, o mapeamento estatístico de áreas de atuação e o gerenciamento, cobrando uma atuação efetiva contra os crimes mais comuns nesses locais, é o melhor caminho a ser seguido’, afirmou Hawkins.

Já o capitão Steve Conrad, de Louisville (Estado de Kentucky, EUA), além de ficar impressionado com a rapidez com que os dados registrados sobre a criminalidade são disponibilizados no banco de dados da polícia paulista, disse que o ponto mais importante de estratégia utilizada pela polícia de Louisville é a concentração de um fluxo de informações provenientes de várias e diferentes fontes em um único banco de dados. Segundo ele, ‘a partir de um gerenciamento eficiente, todos os policiais podem ter acesso a esse banco de dados via terminal de computador, no Distrito, ou via computador embarcado, da viatura. Trata-se de um sistema fechado, mas, na segunda fase do processo, os dados serão disponibilizados na internet para que o cidadão possa, de alguma forma, contribuir na prevenção da criminalidade.’

O contra-almirante Wilfrido Robledo Madrid, comissário da Polícia Federal Preventiva da Cidade do México, além de afirmar que existe uma grande similaridade entre as polícias brasileira e mexicana, disse também que, em seu país, está sendo desenvolvido um projeto de unificação das duas corporações. Outro problema enfocado pelo policial mexicano é o tráfico de armas e de drogas nas fronteiras secas e molhadas. ‘Uma arma comprada nos Estados Unidos por US$ 150 ou US$ 200, quando atravessa a fronteira passa a custar três vezes mais. O tráfico de drogas e as pessoas que atravessam ilegalmente as fronteiras nos obrigou a criar um grupo especializado em todos esses tipos de problemas, que trabalha de forma coordenada com as polícias americanas’, afirmou Madrid.

Polícia paulista está no caminho certo

Outro ponto destacado por ambos os policiais americanos foi o fato de que, apesar de contarmos com duas estruturas policiais distintas, os dois comandantes paulistas comungam das mesmas idéias e posições. O esforço que está sendo desenvolvido para uma maior integração das polícias em São Paulo tende a resultar em uma maior eficiência no combate à criminalidade.

A definição, a partir de 1999, de áreas de atuação sob um mesmo comando para ambas as polícias tornou o trabalho mais racional e integrado.

O Estado foi dividido em duas Regiões de Segurança Pública: a Metropolitana (Capital e Grande São Paulo) e a do Interior. Criaram-se Grupos de Planejamento Integrado, compostos por delegados da Polícia Civil e oficiais da Polícia Militar, com autonomia para agir de acordo com o tipo de crime a ser combatido. Ou seja, cada ação passou a ser determinada conforme a natureza do delito.

Isso, por uma simples e boa razão: o combate ao tráfico de drogas exige métodos diferentes daqueles utilizados, por exemplo, no combate ao roubo de residências. E esses, por sua vez, não podem ser os mesmos empregados na prevenção ao roubo e furto de automóveis — e assim por diante.

O projeto de modernização do sistema de comunicação da polícia que o Governo do Estado de São Paulo entregou ao ministro da Justiça, José Gregori, em 25 de julho passado, foi atendido porque contemplou a todos os requisitos do Plano. Com custo previsto de R$ 112 milhões, o Ministério da Justiça, no entanto, liberou R$ 137 milhões até 2002, em função disso o secretário Marco Vinicio Petrelluzzi vai apresentar outras propostas ao governo federal para aproveitar os recursos extras.

O secretário anunciou, ainda, que vai abrir licitação para que o plano de integração eletrônica – por meio do qual, cada carro da polícia, além de ser monitorado por satélite, vai contar com computador embarcado para identificar carros e levantar fichas de suspeitos – comece a ser efetivado no início do ano que vem.