Saúde: HC realiza estudo e detecta que adolescentes grávidas estão infectadas com o HPV

A pesquisa envolveu 60 gestantes, entre 12 e 18 anos, acompanhadas no pré-natal no Hospital das Clínicas

qui, 18/05/2006 - 18h52 | Do Portal do Governo

Estudos realizados pela Clínica Obstétrica do Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, revelam que mais da metade das adolescentes grávidas podem estar infectadas com o HPV – papilomavirus humano de alto risco. O HPV estudado é o principal causador do câncer do colo do útero. É o segundo tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil.

A pesquisa envolveu 60 gestantes, entre 12 e 18 anos, acompanhadas no pré-natal no Hospital das Clínicas. Para surpresa dos pesquisadores, 51,7% das adolescentes foram diagnosticadas com o vírus, explica o ginecologista e obstetra Waldemir Rezende, também diretor executivo do Instituto Central do HC.

O papilomavirus humano foi denunciado pelo exame de captura hibrida II – o que determina as seqüências do DNA viral. O teste de hibridização molecular é capaz de mostrar, com exatidão, até pequenas quantidades do vírus, permitindo identificar aqueles relacionados com lesões pré-cancerígenas, as quais, se não tratadas, podem evoluir para o câncer entre três e dez anos de ação persistente no organismo.

Os exames convencionais não detectaram o problema. O Papanicoloau e a colposcopia, por exemplo, são exames que diagnosticam o câncer ou lesão precursora quando a doença já se manifesta no organismo.

Inédito

É a primeira vez que o HPV de alto risco é investigado em adolescentes grávidas, comparando-se com os demais métodos (Papanicoloau, Colposcopia) habituais. Os especialistas atribuem o alto índice de infecção ao início precoce da atividade sexual, sem os devidos cuidados e com um maior número de parceiros. O sistema imunológico das adolescentes também não está preparado para combater o vírus, em função da pouca idade.

Diante deste quadro, o Instituto Central do Hospital das Clínicas deverá inserir o teste de DNA-HPV na prática assistencial, integrando-o aos exames citológicos e colposcópico, de modo a oferecer a melhor medicina para a mulher carente, identificando aquelas de maior risco para seguimento e tratamento precoce.

Além disso, na ausência do vírus, a periodicidade do Papanicoloau poderá ser mais espaçada, abrindo vagas para maior número de pacientes a serem submetidas ao controle de rotina. O exame poderá ser realizado a cada dois ou três anos, principalmente em pacientes com parceiro fixo, não fumante, sem doenças imunológicas ou de uso de drogas imunossupressoras.

O diagnóstico precoce do HPV em grávidas pode indicar cuidados adicionais, como evitar a transmissão de uma mãe infectada para seu bebê recém-nascido, além de possibilitar o tratamento antecipado das doenças, alertando-se o pediatra e o otorrinolaringologista.

Outra vantagem do exame de detecção do DNA-HPV é que ele pode ser realizado em qualquer fase da gravidez. Segundo ainda estudos, o rastreamento e diagnóstico de infecção genital pelo HPV nas gestantes jovens poderão contribuir para a indicação formal de vacina em idade precoce, similar à indicação de vacina para hepatite B ou quimioprofilaxia do recém-nascido de mães HIV positivo.

Exames

As adolescentes foram submetidas aos exames citológicos convencional e em base líquida e DNA-HPV. No citológico convencional, o esfregaço colpocitológico foi obtido através da coleta de material com o auxílio de uma escova. Em seguida, a escova de coleta foi raspada sobre uma lâmina de vidro, fixado em álcool absoluto, produzindo um esfregaço tradicional.

O restante do material coletado foi imerso num tubinho com líquido preservador ( preserva a morfologia, o DNA, o RNA e as proteínas). Uma parte deste material foi destinada para o exame de citologia em base líquida e a outra parte do líquido foi utilizada para pesquisa do DNA-HPV.

Para classificar o resultado da captura híbrida II e quantificar a carga viral, utilizou-se a razão entre a unidade de quimiluminescência medida, URL e a média dos calibradores positivos, cut off, que tem uma variação e é definido conforme controle do dia. As amostras com emissão de luz maior ou igual ao ponto de corte foram consideradas positivas e aquelas com emissão de luz menor foram consideradas negativas. Neste estudo foram utilizadas sondas contendo DNA-HPV dos tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68, considerados de alto risco oncogênico.

HPV

Existem mais de cem tipos de HPV. Alguns são transmitidos pelo ar e causam problemas de verrugas. Outros são transmitidos pelo ato sexual. Dentre os que infectam, a enorme maioria é temporária. Muita gente nem fica sabendo que tem o vírus, pois ele não se manifesta e acaba sendo eliminado pelo organismo, sem a necessidade de qualquer tratamento.

Agora tem espécies de HPV que são considerados de alto risco. São os de tipagem 16, 18, 31, 33 e outros menos freqüentes. Eles provocam sangramento e crescimentos de verrugas na região vaginal. Se não diagnosticado e tratado pode evoluir para câncer de colo do útero. Neste caso, a cirurgia ou radioterapia são opções para cura da doença.

Assessoria de Imprensa

Instituto Central do Hospital das Clínicas

Bete Subires