Pesquisa da Unicamp revela: São Paulo não é apenas uma metrópole de serviços

Abertura do comércio exterior levou empresas a reduzirem suas plantas industriais, mas suas matrizes continuam presentes na cidade

dom, 02/03/2008 - 10h31 | Do Portal do Governo

A concepção de que a economia da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), nas últimas décadas, migrou da indústria para a área de serviços está equivocada. Essa é a conclusão do economista Miguel Matteo, relatada em sua tese de doutorado, apresentada na Unicamp. Intitulada Além da Metrópole Terciária, o estudo demonstra que essa idéia está fundamentada na percepção de que a mudança na estrutura do emprego na região, com os trabalhadores de serviços ultrapassando em quantidade os da indústria, alimenta teorias sobre a crise do ‘fordismo’ e a substituição do setor secundário por um terciário jovem e empreendedor.

A atual renovação industrial em São Paulo ocorre por causa de um conjunto de inovações produtivas e tecnológicas e da crescente integração com os serviços. “A metrópole reflete, ainda, uma área que tem seu dinamismo econômico conferido pela indústria, e não pelos serviços”, salienta o economista.

A idéia é compartilhada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Na opinião de José Ricardo Roriz Coelho, diretor de competitividade da Fiesp, as indústrias de maior valor agregado (cosméticos, farmacêuticas, mecânicas de precisão e automação eletrônica) continuam na metrópole.

Os dois executivos explicam que a anunciada fuga da indústria para o interior é um movimento limitado a um raio de 100 quilômetros. O interior, no caso, forma uma mancha geográfica extremada pelas regiões de Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Baixada Santista. “A macrorregião tem participação importante nas transformações ocorridas na economia da metrópole, abrigando muitas das fábricas de chaminés fumacentas e máquinas barulhentas que de lá estão desaparecendo”, informa Matteo.

Esta mancha, que na década de 1970 concentrava 90% de toda a atividade industrial do Estado de São Paulo, manteve-se neste índice nos anos de 1980 e 1990.

Rearranjo – Com as novas mudanças, as cidades de Campinas, Guarulhos, Osasco, Barueri e São José dos Campos tornaram-se competitivas. “Estão próximas de centros de pesquisa, dispõem de mão-de-obra qualificada, sistemas de telecomunicações e transportes eficientes”, explica o economista.

A abertura do comércio exterior levou as empresas a diminuírem suas plantas industriais. A maioria optou por terceirizar inúmeras atividades de apoio. “O faxineiro da Volkswagen está numa empresa de serviços, embora varra o mesmo chão de fábrica. O torneiro mecânico foi substituído por robôs e centros de usinagem. Agora, a montadora prioriza suas atenções na concepção e na montagem de veículos”, explica Miguel Matteo.

Roriz ressalta que, apesar da diminuição das plantas industriais na RMSP e da terceirização de alguns serviços, a direção (matriz) das grandes empresas permaneceu em São Paulo.

”É o que aconteceu com a Kopenhagen. A empresa saiu do Itaim-Bibi e se instalou na região de Campinas. Vendeu um quarteirão inteiro para uma incorporadora, mas manteve-se perto de seu grande mercado consumidor”.

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Maria Lúcia Zanelli

Da Agência Imprensa Oficial

(S.M.)