Parcerias ampliam atuação do Movimento de Segurança no Trânsito

28 de março de 2018

Um dos focos do Governo do Estado, o trabalho para a prevenção de fatalidades nas ruas e estradas das cidades paulistas apresenta resultados positivos. A criação do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, em 2015, é uma proposta inovadora na articulação de órgãos da administração Estadual e Federal, iniciativa privada, sociedade civil e municípios para ações efetivas na redução dos índices de acidentes e salvar vidas.

O Movimento Paulista tem como principal objetivo reduzir pela metade os óbitos no trânsito no Estado até 2020. Inspirado na “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o período de 2011 a 2020, o comitê gestor é coordenado pela Secretaria de Governo.

As parcerias com diversos setores, que proporcionam a expansão da iniciativa, ganham destaque no processo. “As entidades parceiras exercem papel fundamental. Temos o engajamento de dez secretarias de Estado, além de autarquias como Detran.SP, Artesp, DER, Polícia Civil, Polícia Militar, Prodesp e Fundação Seade. O esforço conjunto para combater a violência no trânsito ganhou eficiência do ponto de vista operacional e de custos”, explica a coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, Silvia Lisboa.

“Promovemos parcerias com o terceiro setor, que viabilizam projetos importantes com foco em educação e prevenção de fatalidades. Ressalto o acordo de cooperação firmado com a ‘Together for Safer Roads’, entidade internacional fruto de investimento de grandes companhias de atuação global. Já os apoiadores da iniciativa privada investiram R$ 8,5 milhões de reais no programa e viabilizaram a realização de várias iniciativas, possibilitando agilidade e transparência ainda maior”, acrescenta a coordenadora.

De acordo com o presidente da “Together for Safer Roads”, David Braunstein, o Estado tem um grande desafio e tomou medidas efetivas para reverter as taxas de mortes no trânsito. “Como reunimos as melhores práticas do setor privado, redes globais, dados e conhecimento técnico, queremos contribuir com nosso conhecimento e aprender com a experiência paulista, que já avançou em muitas frentes, como a criação de um sistema de dados oportuno para gerenciamento de segurança”, destaca.

Experiência

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, o interesse das prefeituras em participar da iniciativa demonstra a eficiência das ações. “É gratificante participar das atividades do Movimento Paulista. Trata-se de um projeto exemplar do Governo Estadual, que está de parabéns. Esperamos que essa experiência possa ser levada para outras unidades da Federação, pois lida com eficiência na gestão”, afirma.

Para auxiliar na elaboração de políticas públicas relacionadas à segurança em ruas e estradas, o Movimento Paulista criou uma ferramenta inédita no Brasil: o Infosiga SP, banco de dados que reúne informações sobre acidentes de várias fontes, como as polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal.

Atualizado mensalmente, o projeto fornece índices sobre faixa etária e gênero da vítima, tipo do veículo envolvido e perfil do acidente. Com o sistema, é possível traçar um diagnóstico mais preciso das características das ocorrências, planejar e estabelecer políticas públicas mais eficazes de prevenção em benefício de toda a sociedade.

Outra solução inovadora é o Infomapa SP, que fornece a posição geográfica das fatalidades no Estado. Assim, é possível ver a localização dos acidentes com automóveis, motocicletas, pedestres, ônibus, caminhões, bicicletas e outros que causaram mortes, com indicações da faixa etária das vítimas, o período em que aconteceu o fato e o tipo de acidentes.

“A maior parcela das mortes no Estado está concentrada nas áreas urbanas. Por isso, entendemos como fundamental a parceria com a administração municipal. Firmamos convênios com 103 cidades para viabilizar projetos com foco em melhorias nas vias e ações de educação e fiscalização”, ressalta a coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, Silvia Lisboa.

Municípios

Por meio de recursos provenientes de multas aplicadas pelo Detran.SP, mais de R$ 110 milhões são destinados para projetos que seguem em andamento no Estado. Um dos exemplos de investimentos nos municípios é o de Jundiaí, que apresentou queda de 28% no número de acidentes no viário urbano com vítimas fatais em 2017.

“Desde a adesão ao Movimento Paulistas, desenvolvemos ações educativas em escolas e terminais de ônibus, nos quais os motoristas foram orientados respeitar as leis de trânsito. Foram 39 mortes em 2016 e 28 no ano passado”, revela o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado.

“O projeto é de plena importância, uma vez que o modelo de desenvolvimento urbano preconizado pelo município está ligado a uma cidade voltada às pessoas, com transporte coletivo de qualidade e condições de conforto e segurança no trânsito, tanto para os motoristas quantos para os pedestres”, completa o prefeito.

Na avaliação de Silvia Lisboa, a redução de fatalidades no Estado é fruto da união de esforços. Desde o início do programa, o número de óbitos no trânsito nos 645 municípios paulistas reduziu em 6,9%, com mais de 420 vidas poupadas. Neste ano, os dois primeiros meses registraram o menor número óbitos no Estado desde o início da série histórica do Infosiga SP.

“Ainda há um longo caminho a percorrermos, mas os índices mostram que estamos no caminho correto. Segundo o Infosiga SP, 94% dos acidentes fatais ocorrem por falha humana. Esse dado mostra que a educação para o trânsito é fundamental”, avalia a coordenadora do Movimento Paulista.

O Movimento Paulista conta com o apoio das empresas Ambev, Arteris, Banco Itaú, CNseg, ProSimulador e Raízen, além do Centro de Liderança Pública (CLP). A iniciativa também envolve as seguintes secretarias de Estado: Casa Civil, Segurança Pública, Logística e Transportes, Saúde, Direitos da Pessoa com Deficiência, Educação, Transportes Metropolitanos, Planejamento e Gestão, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.