Passos para a sustentabilidade

De olho no mercado internacional, USP e representantes do setor calçadista criam selo verde para as indústrias brasileiras

sex, 24/08/2012 - 10h33 | Do Portal do Governo

Parceria do Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Escola Politécnica (Poli) da USP com a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), e o Instituto By Brasil, deu origem a um selo de sustentabilidade para o setor.

O objetivo é valorizar as marcas brasileiras no mercado internacional, fortalecendo a competitividade e ampliando as exportações. A diretora do Lassu e professora da Poli, Tereza Cristina Carvalho, explica que a sustentabilidade tem se mostrado uma das mais poderosas ferramentas para a diferenciação de produtos e fabricantes.

A professora é também uma das responsáveis pela criação do selo aplicado em equipamentos de informática e telecomunicações da USP. E colocou sua experiência à disposição do setor para auxiliar na concepção da certificação. Um importante aspecto do procedimento foi logo definido: de que o selo seria concedido para os processos fabricação, e não para o produto. “Isso é fundamental para que a iniciativa tenha mais abrangência e represente o engajamento da empresas à sustentabilidade”, diz Tereza.

Cultura de produção – O selo foi criado com diferentes níveis de certificação, a fim de que tanto as empresas que estão começando agora, quanto as que estão mais avançadas no processo, tenham condições de adquiri-lo. Estes níveis estão classificados como Branco, Bronze, Prata, Ouro e Diamante.

O primeiro abrangerá as empresas que simplesmente aderirem ao programa de sustentabilidade. O restante terá por referência a avaliação de 51 indicadores, que estão distribuídos de acordo com os pilares econômico, ambiental, social e cultural. Em cada um deles, por sua vez, há subdivisões: Importantes, Muito Importantes e Desejáveis.

No econômico, figuram o uso racional da água, de energia elétrica, de matéria-prima, tratamento e reúso de água, uso de fontes renováveis de energia, entre outros. O ambiental abrange coleta seletiva, uso de embalagens recicláveis, controle de consumo de produtos químicos, produção de produtos sustentáveis, tratamento de resíduos químicos, uso de matéria-prima de fonte renovável, etc.

Realização de campanhas e programas socioambientais entre colaboradores, clientes e fornecedores, concessão de benefícios adicionais aos estabelecidos por lei, formação de pessoas e liderança e obediência às leis trabalhistas são ações que integram o pilar social. Já o cultural considera a interação positiva com a comunidade, no que diz respeito ao desenvolvimento de ações para preservar a cultura local. Por isso, Tereza Cristina destaca este último como o grande diferencial da certificação: “Ele conduzirá os empresários a inserirem a cultura brasileira na produção”, considera. Para a obtenção do selo Diamante, será necessário atender a todos indicadores. Ilse Guimarães, superintendente geral da Assintecal, avalia que a iniciativa agrega valor às marcas e aos produtos do setor calçadista brasileiro. “A sustentabilidade tem de deixar de ser compreendida como custo e passar a ser vista como oportunidade”, defende Ilse.

Da Agência Imprensa Oficial