Livro apresenta projetos e soluções para o Minhocão

Caminhos do Elevado – Memória e Projetos é organizado por Rosa Artigas, Joana Mello e Ana Claudia Castro

qui, 18/12/2008 - 8h49 | Do Portal do Governo

O Elevado Costa e Silva (conhecido como Minhocão), que liga as zonas oeste e leste, na capital, gera polêmica desde a sua inauguração, em 1971. “Basta dizer que, cerca de cinco anos após sua construção, já havia proposta de demolição”, observa o secretário municipal de Planejamento da Cidade de São Paulo, Manuelito Pereira Magalhães Jr.

Caminhos do Elevado – Memória e Projetos, organizado por Rosa Artigas, Joana Mello e Ana Claudia Castro, lançamento da Imprensa Oficial e a Secretaria Municipal do Planejamento, é a mais nova obra que coloca o tema em discussão. O livro foi lançado na última terça-feira, na livraria da Imprensa Oficial, na Rua 15 de Novembro, centro de São Paulo.

“Além de apresentar os projetos vencedores do 2º Prêmio Prestes Maia de Urbanismo, realizado em 2006 pela prefeitura, que tinha como tema a recuperação do Minhocão e seu entorno, a publicação contextualiza a memória e o papel deste importante marco na vida da cidade, por meio de textos de diversos especialistas”, explica Ana Claudia Castro.

Segundo Silvia Anette Kneip, diretora do Departamento de Estatística e Produção de Informação da Secretaria Municipal de Planejamento, a idéia do livro surgiu com a necessidade de suscitar o debate sobre o tema. “Ficamos surpresos com o resultado do Prêmio: “80% dos projetos optaram por não derrubar o Minhocão. Apesar dos problemas que ele traz para seu entorno, o Minhocão é fundamental como malha viária da cidade. São 80 mil carros que passam por lá, todos os dias”, disse.

Escolhido entre 45 concorrentes, o projeto vencedor, elaborado pelos arquitetos José Alves e Juliana Corradini, também opta por manter o Elevado: “Nossa idéia é construir uma estrutura metálica em cima da estrutura já existente, criando uma espécie de túnel acústico, que reduz pela metade a emissão de ruídos. Na cobertura desse túnel, imaginamos um parque por toda a extensão do Elevado”, explica Juliana.

Para o secretário adjunto municipal de Planejamento da Cidade de São Paulo e presidente do júri do Prêmio, Luiz Bloch, o projeto vencedor era, sem dúvida, o melhor: “Tanto é que, na última Bienal de Arquitetura, eles ganharam o Prêmio Internacional de Projeto Não Construído. É uma ratificação da nossa escolha. Um dia vamos ter que resolver esta situação, e por isso a secretaria já está contratando este projeto. O caminho é longo mas estamos trabalhando para chegar a uma solução”.

Solução ou problema?

Idealizado como via expressa pelo prefeito Faria Lima durante seu governo, no início da década de 60, o Minhocão foi construído por Paulo Maluf, em 1971. Tem 3,5 quilômetros de extensão, liga a Praça Padre Péricles (Perdizes) à Praça Roosevelt (centro), passando sobre a Avenida General Olímpio da Silveira, Avenida São João e Rua Amaral Gurgel. As obras, que exigiram várias desapropriações, duraram 11 meses.

Solução urbana muito criticada por especialistas, o Minhocão trouxe degradação no seu entorno e provocou desvalorização imobiliária na região. Várias entidades, como a AmoSampa, pregam a sua demolição.

Nos horários de pico, circulam cerca de 6 mil veículos por hora nos dois sentidos. O tráfego é restrito a veículos leves e fica fechado das 21h30 às 6h30 e aos domingos, quando pode ser utilizado como área de lazer.

Andréa Meira Barros

Da Agência Imprensa Oficial