Livro apresenta boas práticas da ação social no Estado

Edição reúne 23 projetos realizados por entidades sociais em parceria com prefeituras e Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social

sáb, 14/07/2007 - 10h21 | Do Portal do Governo

Em 36 anos de existência, a Apae de Batatais fez a diferença na vida de mais de 7 700 crianças e adolescentes que lá buscaram atendimento. Diferença que um deles resume no seguinte relato: “Terminei o Ensino Médio e estou empregado há quatro anos. Sou financeiramente independente. O salário que recebo na primeira quinzena fica para mim e o da segunda quinzena vai para a minha mãe. Quero ajudá-la a comprar nossa casa. Saio para baladas, pratico esportes, toco guitarra”.

Uma rotina comum a muitos jovens na faixa dos vinte anos, não fosse pelo fato de que este, nascido em 1980, foi diagnosticado como portador de tetraparesia espástica. Era uma criança que não conseguia se movimentar nem tinha sensibilidade nos braços e pernas. Graças ao atendimento que recebeu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Batatais, conquistou segurança para a convivência social e para o trabalho. Os profissionais da instituição trabalharam também para retomar a sensibilidade de seus braços e pernas.

A APAE de Batatais oferece assistência médica, psicológica, nutricional, fisioterápica, fonoaudióloga, psicológica, musicoterapêutica, terapêutica ocupacional, pedagógica e profissionalizante a jovens como este. desde sua criação em 1970.

Ao proporcionar condições para a prática esportiva, educação e profissionalização, a organização foi uma das 23 selecionadas no Estado de São Paulo para fazer parte de uma coletânea lançada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que reúne experiências bem-sucedidas de proteção dos direitos humanos de crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e migrantes.

O livro “Ação Social em São Paulo – 23 Boas Práticas” apresenta experiências exemplares em diversos pontos do Estado. Todas realizadas por entidades sociais em parceria com prefeituras e a Seads. A publicação foi distribuída para órgãos governamentais, parceiros da Secretaria e também para as próprias instituições executoras dos projetos escolhidos.

As histórias das entidades foram agrupadas em uma seleção que teve início em outubro de 2005, quando a Secretaria solicitou a suas 23 diretorias regionais (Drads) a indicação de boas práticas executadas por entidades sociais apoiadas pela Seads. As diretorias apontaram 94 instituições, que receberam visitas para registro de relatos dos participantes, entrevistas com os responsáveis e observação das instalações físicas.

Os 23 finalistas foram escolhidas com base em indicadores, quesitos e características estabelecidos a partir da definição de melhores práticas das Organização das Nações Unidas (ONU). Os projetos apresentam impacto positivo na vida das pessoas, assim como no ambiente institucional, social e cultural, resultado de ação integrada entre o setor público, privado e sociedade civil. “São experiências que contêm aquele elemento insubstituível de humanismo, sem deixar de lado a competência técnica e o profissionalismo com os quais são desenvolvidas”, destaca Rogério Amato, secretário estadual de Assistência e Desenvolvimento Social.

República da melhor idade

Outra iniciativa destacada na coletânea é o trabalho bem-sucedido da Associação Pró-Moradia de São Vicente de Paulo, que administra um prédio com três corpos interligados, dois elevadores, 11 andares e seis apartamentos por andar. Com 48 metros quadrados, cada um deles tem dois quartos, banheiro, sala de estar, cozinha e área de serviço.

Até aí, um condomínio como outro qualquer. A diferença é que este empreendimento na Capital paulista, construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) em parceria com a Seads, foi totalmente planejado especialmente para idosos, com equipamentos especiais e condições que oferecem segurança aos seus experientes moradores.

A área comum do empreendimento conta com salas de festas, jogos, televisão, cursos, além de praça e jardim. Assistentes sociais, fisioterapeuta, enfermeira, professora de artesanato garantem o bem-estar dos condôminos. O trabalho tem mostrado excelentes resultados, conseguindo cumprir o principal objetivo que é oferecer moradia digna e qualidade de vida junto à família e idosos carentes.

Desta forma, é possível evitar internações em asilos públicos e o desestímulo de pessoas que podem ser produtivas.Segundo a Associação Pró-Moradia de São Vicente de Paulo, em 2005, 90% dos moradores tiveram problemas familiares resolvidos, 20% retornaram ao mercado de trabalho, enquanto 20% dos dependentes voltaram a caminhar sozinhos.

Entre livros e plantas

Numa região de Botucatu em que são registrados índices elevados de desemprego, alcoolismo, envolvimento com drogas, evasão escolar, gravidez na adolescência e violência doméstica, funciona desde 1965 a Creche e Berçário Criança Feliz.

Em 1996, a equipe percebeu que as crianças deixavam a creche, não contavam com atendimento fora do horário de aula e permaneciam expostos a ricos. Para solucionar o problema, decidiram criar o Projeto Crescer, que hoje oferece atividades complementares às escolares, proteção à infância e habilitação de adolescentes para o mercado de trabalho. Ao completarem 16 anos, ele são encaminhamos para atuar como aprendizes em empresas parceiras.

Em 10 anos de atividade, mais de 2 mil jovens foram atendidos por pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, educadores ambientais, alfabetizadores, professores de informática, teatro, dança, música e até um instrutor de fanfarra. Como resultado desta ação multidisciplinar, cerca de 70% dos alunos foram encaminhados ao mercado de trabalho.

Leia também:

A lista dos 23 projetos selecionados

Regina Amabile

(J.H.)