Guarapiranga já recebe água da Billings

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ter, 22/08/2000 - 17h58 | Do Portal do Governo


Governador acionou a 1ª das quatro bombas de captação que vão garantir até 4 mil l/s a mais de água para a represa

A represa de Guarapiranga já conta com um reforço para manter seu nível de água durante o período de estiagem. O governador Mário Covas acionou, na tarde desta terça-feira, dia 22, a primeira bomba de captação, dando início à operação de transferência das águas da represa Billings para a Guarapiranga, por meio do braço de Taquacetuba, em Parelheiros, Zona Sul da Capital. “Essa obra já estava sendo executada mesmo antes da atual estiagem, a pior dos últimos 90 anos”, disse Covas. O governador comentou que ninguém esperava uma estiagem tão rigorosa como essa e lembrou que no ano passado houve inclusive sobra de água, sendo necessário executar a sangria dos reservatórios.
A obra inaugurada hoje foi iniciada em 1998 e terminada antes do prazo pela Sabesp. Vai garantir a transferência de até quatro mil litros de água por segundo. Isso significa que um terço do que sai vai estar entrando na represa, de onde é retirado hoje cerca de 12 mil litros por segundo. Inicialmente, o prazo de conclusão era novembro e a transferência de água seria de apenas dois mil litros por segundo. “Essa obra afasta o risco de colapso na represa do Guarapiranga e mantém a represa dentro dos níveis de operacionalidade”, disse o secretário estadual de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Mendes Thame.
Com a primeira bomba funcionando, serão transferidos mil litros de água por segundo. A partir da próxima semana, com a entrada em operação das outras bombas, essa capacidade será dobrada. O projeto prevê que até a primeira quinzena de setembro estejam sendo bombeados até quatro mil litros por segundo. Ao todo, serão quatro bombas trabalhando e uma de reserva. Covas salientou que essa operação vai garantir o nível de água da Guarapiranga mas não é suficiente para acabar com o racionamento a que estão submetidas 3,2 milhões de pessoas das zonas Sul e Sudoeste da Região Metropolitana. “O racionamento de água só acaba no final de outubro com a volta das chuvas”, afirmou. Covas disse que uma situação como a desse ano pode se repetir. “Teremos dificuldades como estamos tendo agora, mas não com a mesma intensidade pois teremos mais margem de manobra com esses quatro mil litros por segundo”.
As obras consumiram investimentos de R$ 67 milhões e incluem, além da estação de bombeamento, uma adutora de aço, com 14 quilômetros de extensão e diâmetros que variam de 1,2 a 1,5 metro, uma captação flutuante e um canal de dissipação, que são equipamentos necessários para a execução da reversão das águas do Taquacetuba para a represa. A Sabesp informa que já encaminhou todo o processo de licenciamento ambiental para a operação e todas as etapas da obra serão concluídas no prazo. Dentro de oito dias, de acordo com Thame, deve sair a licença definitiva. Covas observou que a prioridade neste momento é dar água para a população e que não se está fazendo nada que violente o meio ambiente. Esse empreendimento vai servir como suporte para a Guarapiranga e será acionado em períodos considerados atípicos, como a atual estiagem que afeta a Região Metropolitana.

Qualidade da água está garantida

Segundo o presidente da Sabesp, Ariovaldo Carmignani, a qualidade da água do braço Taquacetuba é semelhante à da represa de Guarapiranga. O monitoramento será feito em tempo real, 24 horas por dia, por meio do sistema Teleclear, que funciona com bóias equipadas com sensores e microprocessadores que captam informações sobre as condições da água. “É o sistema mais moderno do mundo”, destacou Carmignani. Ele explicou que a análise é feita no próprio local, dentro da água mesmo, sem a necessidade de se retirar amostras.
Outro fator que vai colaborar com a qualidade da água é que as bombas foram instaladas a 400 metros da margem e são horizontais ao invés de verticais, para não formar rodamoinhos, evitando captar a água do fundo, onde se depositam normalmente os resíduos sólidos.