Especialistas aprovam projeto de despoluição de córregos da Capital

O projeto foi lançado na terça-feira, 20, pelo governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab

qua, 21/03/2007 - 10h43 | Do Portal do Governo

(Atualizada às 17h09)

Segundo os especialistas, a parceria inédita entre o Governo do Estado e a prefeitura de São Paulo está no caminho certo para mudar a situação de degradação de 40 córregos da Capital e beneficiar 2,35 milhões de pessoas. O projeto, batizado de Operação Natureza, foi lançado na terça-feira, 20, pelo governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab.

O programa prevê o investimento de R$ 200 milhões, nos próximos 50 meses,   em ações como o aprimoramento da rede coletora de esgotos e urbanização de favelas, além da criação de parques lineares ao longo de oito desses córregos e um projeto de educação ambiental voltado para as comunidades da região cortada pelos 40 riachos.

Trata-se da primeira etapa de um plano maior que pretende limpar os 300 córregos da Capital, em 10 anos. Os 40 córregos escolhidos para essa primeira fase estão distribuídos nas quatro regiões da cidade e cortam 20% da área municipal. Para a maioria desses córregos, a meta de redução da poluição supera os 70% e, em alguns casos, pode chegar a 95%.

José Luiz Negrão Mucci, professor do departamento de saúde ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo explica que as medidas que envolvem saneamento, em geral, requerem a atuação do poder público em várias esferas. “Quando a vontade política entre elas não coincide, muitas vezes o processo emperra. O fato de governo estadual e municipal se unirem com o mesmo objetivo é um bom sinal”, afirma.

Para ele, o pacote de ações da Operação Natureza é bastante consistente. “São medidas realmente efetivas, não ficam no paliativo. Investir em rede coletora de esgotos é o que precisa ser feito mesmo. Somente assim a gente ataca o problema na raiz, que é evitar que a matéria orgânica chegue aos córregos”, entende Mucci. “É uma iniciativa a ser comemorada, desde, claro, que tenha continuidade”, entende ele. Para o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, o sucesso desse programa depende do envolvimento de todos. “A sociedade tem um papel fundamental nesse processo. Não basta que a Sabesp invista em rede coletora de esgoto, é preciso que as pessoas façam suas ligações domiciliares e adotem atitudes que preservem o ambiente, como evitar jogar lixo em locais inadequados”, afirma Gesner.

Com as medidas que constam do programa Carlos Eduardo Tirlone, coordenador da Pós-graduação em Gestão Ambiental do Centro Universitário Senac acredita que efetivamente “os mananciais poderão apresentar melhor qualidade de suas águas, que poderão ser utilizadas para abastecimento público, industrial, e geração de energia”. 

Segundo ele, outro impacto benéfico a ser comemorado é a redução de doenças de veiculação hídrica, assim como a proliferação de insetos, o mau cheiro e a poluição visual.

Uma das preocupações da Operação Natureza é mobilizar a população em torno do projeto, o que é outro ponto positivo destacado pelos especialistas.   “Sem dúvida, isso é fundamental. É um consenso entre os organismos internacionais que lidam com questões ambientais que o engajamento da população é uma das formas de minimizar custos e ajuda a garantir o sucesso de projetos de revitalização e despoluição de áreas degradadas”, observa Malu Ribeiro, coordenadora do projeto Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Isso porque, segundo ela destaca, uma parcela da sujeira que degrada os rios e córregos da cidade refere-se à chamada poluição difusa. Ou seja, o lixo que se joga na rua. E aí entra desde o sofá velho que não se quer mais até ponta de cigarro, sacola de plástico e papel. Tudo isso vai parar no corpo d’água e engrossa o caldo da poluição.

Assim, simples mudanças de hábito fazem grande diferença, como evitar jogar sacolas plásticas, latas, ponta de cigarro, papel etc na rua. Segundo Malu a programas de educação ambiental e a melhoria do entorno dos rios acabam ajudam a população a valorizar mais o córrego que tem na vizinhança e a se engajar nas ações para mantê-lo limpo e preservado.

Iracy Paulina

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