Dia Mundial de Combate às Drogas: Hub de SP ultrapassa 3,4 mil atendimentos desde abril

Perfil da maioria dos pacientes envolve abordagem multidisciplinar: 71, 5% consomem crack e 61,2% estão em situação de rua

seg, 26/06/2023 - 18h25 | Do Portal do Governo

O Hub Cuidados em Crack e Outras Drogas do Governo de São Paulo, na região central da capital, já fez na sua triagem 3.454 atendimentos em pouco mais de dois meses de funcionamento. Deste total, 2.155 pacientes foram encaminhados para algum tipo de tratamento. Na unidade, há cerca de 200 profissionais com experiência no tratamento de dependência química que trabalham com abordagens, acolhimento e atendimento a usuários de drogas.

Um balanço do funcionamento do Hub entre os dias 6 de abril e 17 de junho revela que a maior parte dos pacientes atendidos enfrenta situação grave de dependência química e de vulnerabilidade social. Entre os 2.155 pacientes, 61,2% estão em situação de rua. Quase a metade (43,4%) frequenta a região das cenas abertas de uso no centro paulistano.

Quanto ao uso de drogas, 71,5% consomem crack, 77% são alcoolistas e 15,1% usam canabinóides sintéticos (K9, K2, K12 ou Spice). Sobre o gênero, 87,6% são homens. Mulheres atendidas no HUB respondem por 10,1%, e transexuais, por 2,3%. Por fim, o perfil etário mostra que 85,4% têm de 26 a 59 anos. Outros 11% têm entre 18 a 25 anos, e 2,9% possuem mais de 60 anos. Há ainda 0,7% entre 12 e 17 anos.

Para dar conta dessa demanda, o Hub de Cuidados conta com acolhimento social assistido com avaliação de riscos médicos e clínicos 24h, leitos de observação hospitalar dia e noite para acolhimento, centro de monitoramento do processo de recuperação e reinserção, salas multiuso para grupos de ajuda e espaços para grupos de abordagem de organizações missionárias do centro e de apoio a grupos de familiares.

O vice-governador Felicio Ramuth, que também é coordenador do plano de ações do Estado para atendimento a dependentes químicos, ressalta que o Hub atua para que o acolhimento, convencimento e tratamento remem na mesma direção: prestar serviço de qualidade e humanizada a todos que precisam de ajuda.

“Desde o início do ano, temos trabalhado de forma intersecretarial, procurando acolher os dependentes químicos que se encontram nas ruas das cenas abertas de uso de drogas do centro da capital, oferecendo tratamento para dependência de crack e outras drogas e uma linha de assistência e cuidados para reinserção social e familiar.”

Médico psiquiatra e diretor do Hub, Quirino Cordeiro explica que o local recebe as pessoas que buscam o tratamento para que possam se recuperar de quadros graves de dependência. “O Hub apresenta um novo conceito: nós recebemos, avaliamos, cuidamos das pessoas aqui e depois encaminhamos, levando em consideração as suas reais necessidades para que possam receber um tratamento efetivo.”

Embora o foco do Hub sejam os casos mais graves, há pacientes considerados mais leves que também recebem atenção. Alberto – nome fictício usado para preservar o paciente –, de 27 anos, deu entrada no último dia 20 no HUB acompanhado da mulher, do pai e da mãe. Naquela manhã, a família saiu cedo da zona sul com um único objetivo: ajudar o rapaz a vencer a dependência química.

Há dois anos, ele experimentou a maconha sintética e, desde então, se viciou nesse tipo de droga. Quando chegou ao Hub de Cuidados, ele estava há poucas horas sem consumir a substância. Enquanto aguardava o primeiro atendimento, era acolhido pelos familiares. “Tenho me sentido mal e feito a minha família sofrer. Não quero isso pra mim. Tenho um filho, e isso é uma destruição para toda a família”.

O Hub também atua no gerenciamento, articulação e integração das ações estaduais e municipais por meio de diferentes políticas de proteção, que contribuem para o cuidado integral a essa população. Usuário de drogas desde a adolescência, Antônio (nome fictício), de 36 anos, foi encaminhado para uma comunidade terapêutica após passar por internação. Ele afirma que está disposto a se reerguer.

“A motivação que faz as pessoas a vir aqui é se levantar, se reerguer novamente e começar a ouvir os profissionais que são capacitados para poder dar continuidade. É uma esperança que você tem que dar o primeiro passo, para que você tenha uma nova maneira de viver.”