Acidente em Congonhas: Polícia Civil colhe depoimento de três sobreviventes

Declarações foram marcadas pela emoção e pelo drama das pessoas

seg, 23/07/2007 - 18h52 | Do Portal do Governo

O delegado Antonio Carlos Menezes Barbosa, presidente do inquérito instaurado na noite do acidente com o Airbus da TAM, ouviu durante a manhã desta terça-feira, 23, mais três testemunhas que sobreviveram à tragédia. Os depoimento de Gerson Antonio da Rocha, Eunice Coelho e Eduardo da Silva Teixeira foram marcados pela emoção e pelo drama que viveram.

Eunice, 44 anos, nascida no Piauí, trabalha como despachante de carga. Funcionária da TAM há um ano e três meses, estava no terminal de cargas há apenas dois meses. Ela contou ter escutado um barulho ensurdecedor. “Senti o prédio tremer”, descreveu a sobrevivente. Eunice, que possui uma deficiência física na perna esquerda, foi ajudada por outros colegas para sair do prédio e, durante a fuga, sofreu uma queda, lesionando o braço. Ela não sofreu queimaduras e foi levada ao Hospital Evaldo Foz.

Eduardo Teixeira, 35, também despachante de cargas e funcionário da TAM há 5 anos, é outro que não esquece do ruído da turbina do avião. Em sua declaração, ele informa ter olhado imediatamente para pista, porém sem enxergar nenhuma aeronave decolando. “Depois olhei para o lado e vi uma bola de fogo vindo em nossa direção. Saí correndo, mas depois voltei para ajudar os colegas que ainda estavam no interior do edifício.” Eunice foi um dos companheiros de trabalho socorridos.

Teixeira contou ainda ter ajudado, junto com várias outras pessoas, a retirar uma laje que tinha caído em cima do líder do setor de operações, que conseguiu escapar e foi levado ao hospital em estado de choque. Eduardo também caiu e sofreu escoriações no joelho esquerdo, porém não sofreu nenhuma queimadura e foi socorrido no Hospital Alvorada.

O terceiro depoente ouvido, o baiano Gerson Antonio da Rocha, 33, trabalha como motoboy para a empresa Velocity, que presta serviços para a TAM. Gerson descia as escadas para bater o ponto e encerrar sua jornada de trabalho quando ouviu a explosão. “Pensei que fosse uma bomba”, afirmou o motoboy.

Gerson descreveu o local tomado por chamas e fumaças e disse que, apesar do ‘barulho ensurdecedor’, era possível ouvir os ‘gritos desesperados de socorro’. Ele sofreu queimaduras de 1º e 2º grau no rosto e no braço, e foi socorrido em estado de choque ao Hospital Saboya. “Só tomei consciência de ter sobrevivido após ser visitado pelos meus parentes no hospital”, relatou Gerson.

Da Secretaria de Segurança Pública