Secretaria de Agricultura promove videoconferência sobre meliponicultura

Evento reuniu mais de 900 participantes de todo o Brasil, que puderam tirar dúvidas sobre novidades e desafios do setor

qui, 23/07/2020 - 10h19 | Do Portal do Governo
DownloadDivulgação/Secretaria de Agricultura e Abastecimento

A videoconferência realizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, via Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Mogi Mirim, em 16 de julho, foi um sucesso em número de participantes. Em poucos dias de divulgação, o tema “Introdução à Meliponicultura – Identificação das principais espécies de abelhas melíponas” chamou a atenção de um público diverso e mais de 900 pessoas se inscreveram.

Disponibilizada via YouTube, em menos de 20 horas, a videoconferência já havia sido visualizada por 2.880 pessoas. Com previsão de uma hora e meia de duração, o encontro foi estendido para duas horas e meia, tantas foram as perguntas dirigidas ao palestrante, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Meio Ambiente, Cristiano Menezes.

Os integrantes do Grupo Gestor da Apicultura e Meliponicultura, composto por 33 técnicos da CDRS, também entraram em ação para auxiliar nas respostas às dúvidas que surgiram dos mais diversos estados do País − Pará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia − e até um participante dos Estados Unidos, país no qual questão da redução da população de abelhas tem sido tema de constantes debates.

Suporte

Alexandra Luppi, engenheira agrônoma e assistente de planejamento da CDRS Regional Mogi Mirim, passou a fazer parte do Grupo Gestor da atividade há pouco mais de um mês, quando o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus já chegava aos três meses e uma nova forma de atuação dos extensionistas da pasta, todos em regime de teletrabalho, já começava a conquistar estes novos espaços.

Aos poucos, os extensionistas foram percebendo a necessidade de continuarem a dar suporte aos produtores rurais e outros interessados nos mais variados temas que procuram as Casas da Agricultura e os Escritórios Regionais da CDRS em busca de informações e até novas opções no agronegócio.

“Acredito que o grande interesse também se deve à busca por alternativas que considerem as questões ambientais, como a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente, a oferta de produtos mais saudáveis e até mesmo novos hobbies, como a criação de abelhas nativas sem ferrão, que tenham facilidade no manuseio e, além da oferta de mel, podem contribuir muito na maior polinização e aumento da produção em várias cadeias agrícolas produtivas”, argumentou Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo da Divisão de Extensão Rural e um dos organizadores da videoconferência junto à Regional Mogi Mirim, ambas unidades vinculadas à Secretaria.

“A Alexandra é uma extensionista muito interessada, competente e dedicada, e a sugestão do tema partiu dela”, elogia Osmar. A técnica foi responsável pela Casa da Agricultura de Mogi Guaçu e hoje atua como assistente de planejamento da CDRS Regional Mogi Mirim, mas, assim que entrou no Grupo Gestor, disse pouco conhecer sobre as melíponas, abelhas nativas do Brasil, que têm chamado atenção de um público muito diverso.

Dessa necessidade, surgiu a ideia de oferecer uma palestra que envolvesse tanto os técnicos da própria rede ‒ e de outros órgãos e empresas ‒ quanto demais interessados no tema. “Decidimos convidar o Cristiano Menezes, que é reconhecido em todo Brasil por sua especialidade nas áreas de apicultura e meliponicultura e, além disso, um parceiro de longa data”, afirmou Osmar.

Ambos, Osmar e Cristiano, afirmam que há atualmente, e principalmente neste momento, um repensar de valores com uma perspectiva de geração de renda a partir de atividades benéficas ao meio ambiente. A apicultura e a meliponicultura, assim como a transição agroecológica, entram nesse segmento.

Plataformas digitais

O coordenador da CDRS, José Luiz Fontes, e o diretor da CDRS Regional Mogi Mirim, Roberto Machado, concordam que a opção de capacitação por meio de videoconferências, lives e o uso de plataformas digitais, são novas formas de atuação da extensão rural e devem permanecer pós-pandemia. “As videoconferências permitem convidar expoentes das mais diversas áreas; não é preciso uma grande infraestrutura, nem deslocamentos, pagamentos de diárias, utilização de veículos e, consequentemente, necessidade de maior alocação de recursos. São novas modalidades, às quais a Secretaria de Agricultura vem se adequando para oferecer treinamento e estrutura, para que haja uma maior atuação em ambientes virtuais”, frisa o coordenador.

“Claro que nem todas as atividades podem ser virtuais, existem outras onde a presença física e a demonstração no campo são indispensáveis, mas sem dúvida estamos nos abrindo a novas opções. Trata-se de uma adequação, tanto para os técnicos como para os produtores”, observa Fontes.

O coordenador da CDRS, o diretor da Regional Mogi Mirim e os organizadores da videoconferência, Osmar Mosca Diz, Alexandra Luppi Geraldi e Heitor Heiderich Roza, e o palestrante convidado, Cristiano Menezes, concordam que a capilaridade alcançada pela extensão rural, com suas redes que se firmaram ao longo de anos de trabalho, são os grandes responsáveis por participações expressivas como esta.

O interesse pelo tema também favoreceu muito, segundo o pesquisador da Embrapa. “Temos oferecido mensalmente vagas em um curso virtual sobre o tema e a oferta inicial no ano passado foi de três mil vagas; em pouco tempo dobramos, a seguir triplicamos e, hoje, já temos 20 mil inscritos. Com isso, o feedback passou a ser grande, já temos ideia dos tipos de perguntas que surgem, dessa forma esse processo também vem nos proporcionando um aprendizado muito grande”, afirma o pesquisador Cristiano Menezes.

Mas, segundo Cristiano, “é a extensão rural que realmente tem esse papel de difusão de tecnologia, de fazer chegar a informação ao produtor rural e, por isso, a parceria entre pesquisa e extensão é tão fundamental”. Inclusive, para esclarecer vários pontos como, por exemplo, a coexistência pacífica entre a apicultura e a meliponicultura.

“Diversas abelhas usam várias fontes de recursos alimentares. Então, não são concorrentes, pelo contrário, potencializam a polinização e também a renda do produtor de mel”, afirma o pesquisador. Outra questão que gera muitas dúvidas é relativa à legislação que pode ser acessada em sites estaduais e federal.

“A meliponicultura tem chamado atenção de Organizações Não Governamentais [ONGs] voltadas ao meio ambiente,  apicultores que já atuam na área, empresas que desempenham atividades que dependem de algum tipo de cultura [papel e celulose, citros e outras] e, também, daqueles que querem diversificar e vir a obter renda como uma atividade que é benéfica ao meio ambiente, ou, até mesmo, desenvolver a atividade como um hobby ou alternativa de aumento de renda, já que tais abelhas não oferecem perigo e podem aumentar a biodiversidade pelo simples fato de existirem”, acrescenta.

Os envolvidos na organização da videoconferência acreditam que os grupos podem, a partir de capacitações como essas, se organizar e pensar em entrar no mercado formal. Isso será possível a partir do momento que obtenham maior volume, porém o interesse pela meliponicultura já vem movimentando outros elos da cadeia, como o aumento na venda de caixas e colmeias.

“Este é o momento ideal para aqueles que se interessaram, pois no início de setembro, com as floradas, será possível formar novas colmeias e iniciar uma nova atividade. Por este motivo, o Grupo Gestor já está preparando as novas capacitações, com data a ser confirmada, com temas que envolvem a importância do mel na alimentação escolar e as espécies de abelhas mais indicadas para cada cultura a ser polinizada ou para cada finalidade”, conclui o pesquisador.