Unicamp tem método que identifica sementes de soja

Jornal da Tarde - São Paulo - Segunda-feira, 29 de novembro de 2004

seg, 29/11/2004 - 9h11 | Do Portal do Governo

O teste, que é simples e demora apenas dois minutos, é totalmente seguro e diferencia as sementes de soja natural, transgênica, orgânica e nativa

SILVANA GUAIUME

Um novo método desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) permite diferenciar, com maior rapidez e confiabilidade, sementes de soja natural, transgênica, orgânica ou nativa. Bastam uma ou duas sementes para completar o teste, que demora menos de dois minutos. Ao contrário de outros métodos disponíveis, o desenvolvido na Unicamp é totalmente seguro.

‘Não há probabilidade de falha’, garantiu o pesquisador e aluno de pós-doutorado Rodrigo Ramos Catharino. Segundo ele, as outras alternativas de teste, por biologia molecular ou seqüência genética, podem indicar falso positivo, caso ocorra mistura das sementes com outros cultivos.

Catharino explicou, entretanto, que a rapidez é a principal vantagem do novo método. A técnica, inclusive, já despertou interesses. Produtores de algodão e milho entraram em contato com os pesquisadores solicitando que a identificação seja estendida a essas espécies.

A Monsanto também enviou amostras à Unicamp para identificar bancos de varietais que pertencem à empresa. ‘O lote está a caminho da universidade’, comentou Catharino. Ele defendeu que o método dará maiores garantias a consumidores e agricultores sobre o produto que estão adquirindo.

‘A adaptação do teste para avaliar outras culturas é simples’, disse o pesquisador. Ele acrescentou que o resultado pode ser interpretado por leigos. A equipe que desenvolveu o método se debruça agora sobre outro desafio: avaliar a qualidade das sementes de soja.

‘Quanto mais isoflavonas, melhor a soja’, explicou Catharino. Ele lembrou que no Brasil já foram identificadas sementes com até 9 tipos de isoflavonas. Acrescentou que a qualidade não está relacionada ao fato de a soja ser transgênica, natural, orgânica ou nativa – quando cresce sem nenhuma intervenção do produtor. ‘Há sementes de melhor qualidade nos quatro tipos’, alegou.

Para fazer o teste, a amostra é triturada e misturada a água e álcool.

A mistura vai para uma centrífuga simples por um minuto. O material não decantado é injetado em um espectrômetro de massas, que identifica a estrutura molecular da amostra. Os quatro diferentes tipos de sementes têm estruturas moleculares distintas.

‘O resultado é um gráfico que pode ser observado e identificado, de acordo com a semente, por qualquer leigo’, disse Catharino. As isoflavonas, conforme ele, atuam como marcador químico no processo. O método não foi patenteado dada à sua simplicidade.

‘Qualquer laboratório com um espectrômetro pode fazer a avaliação, não tem como patentear’, justificou.

Mas o pesquisador comentou que o grupo pretende solicitar credenciamento junto aos Ministérios da Agricultura e da Saúde para proceder as análises e implantar o sistema em laboratórios. O trabalho foi desenvolvido por Catharino, Marcos Nogueira Eberlin e Leonardo Silva Santos.

A produção de transgênicos é cercada de polêmica. O governo brasileiro autorizou o plantio de soja geneticamente modificada, mas a lei determina que os produtos transgênicos sejam identificados no rótulo.

Para Catharino, a produção e comercialização dos transgênicos são irreversíveis. Mas ele defendeu a criação de um padrão de qualidade e de certificação para garantir segurança ao consumidor.