Um século de Pinacoteca

Gazeta Mercantil - Opinião - Segunda-feira, 18 de abril de 2005

seg, 18/04/2005 - 9h23 | Do Portal do Governo

O espaço transformou-se em referência internacional de arte

Claudia Costin

Em abril deste ano, a Pinacoteca do Estado, no bairro da Luz, deu início ao extenso calendário comemorativo de uma data que é especial para São Paulo: o centenário do espaço, que se completa em 25 de dezembro de 2005. Até lá, acontece uma maratona de exposições que também ocupa a área expositiva da vizinha Estação Pinacoteca. Estão previstos 18 meses de celebração que se estendem até o segundo semestre de 2006. Na estréia do calendário, a inédita retrospectiva, já em cartaz, do artista inglês Henry Moore (1898-1986), que reúne 300 peças entre esculturas, desenhos e gravuras.

Em julho, o destaque fica com a mostra ‘Cem Anos da Pinacoteca’, exposição comemorativa do próprio acervo. A obra do artista argentino Xul Solar (1888-1963) marca presença com retrospectiva que visa estreitar laços com produções latino-americanas. E, para finalizar 2005, Frans Kracjberg expõe suas obras monumentais nos dois sentidos da palavra.

O principal motivo para celebração está no fato de a Pinacoteca chegar ao seu primeiro centenário com um vigor que se renova a cada dia. De espaço tradicional de exposições transformou-se, na última década, em referência internacional de arte, pela sua regularidade, qualidade de seus eventos e excelência na realização. A direção competente de Marcelo Araújo tem garantido público crescente. No ano passado, mais de 320 mil pessoas visitaram o museu. Parcerias com a iniciativa privada, como a com o Bradesco, que viabilizou a presença das esculturas de Henry Moore no Brasil, têm sido uma constante na gestão da Pinacoteca.

O rico acervo, que conta cerca de 5 mil peças enfocando a arte brasileira dos séculos XIX e XX, já faz parte do roteiro turístico de quem vem a São Paulo a negócios ou em busca de lazer cultural. A Pinacoteca não é mais somente o museu de artes plásticas mais antigo da cidade, instalado num prédio que mantém suas características resguardadas, mesmo passando por algumas reformas. É também o local aonde as pessoas vão alimentar o espírito e a mente.

Tudo isso resulta da soma de um esforço da política cultural das duas últimas administrações estaduais – Mário Covas e Geraldo Alckmin. Em fevereiro de 1997, o lugar passou por uma importante reestruturação liderada por Emanuel Araújo, que transformou o prédio num dos principais museus do País, apto, do ponto de vista técnico, a receber grandes exposições nacionais e internacionais.

A Pinacoteca não foi reestruturada apenas em seu espaço físico, mas em seu conceito. Estabeleceu novos valores para o uso dos espaços. Em busca de melhor adequar-se à função museológica, recebeu uma oficina especializada em restauração de obras de arte. É uma das raras áreas no País a treinar mão-de-obra especializada em atividades de preservação de acervos.

O prédio onde funcionou, por mais de meio século, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) se tornou, no ano passado, uma extensão da Pinacoteca e passou a se chamar Estação Pinacoteca. Pelo projeto, o edifício (situado ao lado da Sala São Paulo) passa a abrigar parte do programa de exposições temporárias da Pinacoteca.

A meta agora é chegar ao final de 2005 com uma Pinacoteca ainda mais vigorosa, ciente de seu papel cultural e bem distante da idéia de que o tempo é o maior inimigo de uma instituição. Assim como uma árvore ou um jardim, um grande museu só precisa de atenção para se revigorar. Boas parcerias são sempre bem-vindas. Como responsáveis pelo bem público, empenhamo-nos em cumprir a nossa parte.


Claudia Costin é secretária de Cultura do Estado de São Paulo.