Secretaria deve criar carreira administrativa

O Estado de S.Paulo - Terça-feira, 24 de abril de 2007

ter, 24/04/2007 - 11h28 | Do Portal do Governo

O Estado de S.Paulo

Cerca de 3,2 mil professores – ou 6% dos 51 mil dos educadores municipais – estão afastados de suas funções originais na rede de ensino da cidade de São Paulo, trabalhando longe das salas de aula. Desse total, aproximadamente 520 professores executam suas tarefas em áreas como compras de material, contabilidade, controle de pessoal, obras ou até mesmo atendimento telefônico.

Dados da secretaria municipal de Educação mostram que há 866 educadores prestando “serviços técnicos educacionais”. Desses, pouco mais de 340 trabalham nas coordenadorias de ensino e na secretaria criando normas pedagógicas e definindo os padrões que são adotados nas escolas.

Os demais estão nas chamadas “áreas-meio”, desempenhando funções burocráticas, que nada têm a ver com a formação pedagógica. “Temos professores fazendo planilhas de gastos”, afirma o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.

Além desses profissionais, há 934 educadores atuando como assistentes de direção nas escolas, o equivalente a um cargo de “vice-diretor”. Há ainda 1.453 professores que exercem a função de auxiliar de direção. O cargo é mais um apoio para os diretores de escola e é dividido por turnos. Um colégio que tem quatro turnos tem também quatro auxiliares de direção.

PROJETO

Schneider reconhece que há um desvio e que é preciso devolver muitos professores às salas de aula. Para tentar solucionar o problema, no início do segundo semestre ele deve apresentar à Câmara Municipal um projeto de lei para criar a carreira administrativa na educação. “Essa proposta ainda vai ser discutida com a categoria e com os sindicatos”, diz.

Embora o projeto ainda esteja em fase de elaboração, Schneider já afirma que vai reforçar a área administrativa das escolas municipais, diminuindo a burocracia e aumentando a autonomia dessas instituições. “Queremos reorganizar a escola”, conta. “A equipe escolar tem de ficar tranqüila para pensar a questão pedagógica.” Ele não soube informar quanto essas mudanças custarão à secretária.

O presidente do Sindicato dos Profissionais do Ensino Municipal (Sinpeem), Cláudio Fonseca, explica que essa é uma reivindicação da categoria há mais de seis anos. “Concordamos com o princípio dessa proposta do secretário”, afirma. Segundo ele, as ações da secretaria precisam fazer com que os professores retornem às salas de aula e irá suprir uma carência de mais de 3 mil funcionários para atuar em cargos administrativos (como fazer a escrituração de alunos e trabalhar na secretaria das escolas) e de apoio (limpeza e manutenção). “É preciso que esse plano crie mecanismos para acabar com o deslocamento de professores para outras funções.”

De acordo com Fonseca, os professores não podem optar por exercer funções administrativas em vez de dar aulas. “O secretário ou o prefeito designam pessoas para exercer essas funções.”

FALTAS

O Estado mostrou há dez dias que, em 2006, diariamente, mais de 4,5% dos professores da rede municipal de ensino não apareceram para dar aulas. São 2.356 ausências de sala de aula todos os dias. Essas faltas causam um problema estrutural: há 12.894 professores substitutos na rede, mas eles não são suficientes para atender à demanda .

De acordo com o Sinpeem, entre as justificativas para tantas faltas estão as salas de aula superlotadas, a violência e escolas sem infra-estrutura.

A Secretaria Municipal de Educação pretende combater esse problema apostando no binômio melhoria do ambiente escolar e premiação para os bons profissionais. Em breve, um decreto vai estabelecer regras que nortearão as gratificações para os professores que não faltam.

NÚMEROS 51 mil

é o total de professores da rede municipal

3,2 mil

exercem funções administrativas

866 prestam

serviços técnicos educacionais

520 atuam

em áreas como compras, obras ou atendimento telefônico

934 são

assistentes de direção

1.453 são

auxiliares de direção