Satélite identifica 100 parques da Cantareira

Folha de S. Paulo

qua, 17/03/2010 - 11h46 | Do Portal do Governo

Segundo o governo de SP, aparelho com maior precisão detectou 790 mil novos hectares de cobertura vegetal no Estado

Com a descoberta dessa área, Estado passou a ter 17,5% do seu território coberto por mata nativa; até 2002, número era de 13,9%

Um estudo detalhado, que utilizou imagens de satélite com um grau maior de precisão, revelou que o Estado de SP tem uma cobertura de vegetação de 791 mil hectares maior do que se imaginava -algo como cem parques da serra da Cantareira, na Grande SP.

A área equivale à soma de todas as unidades de conservação do Estado. Os dados também apontam que, desde o início da década, foram recuperados 94,9 mil hectares de mata.

Com a descoberta dessa área, o estudo conclui que SP tem 4,3 milhões de hectares cobertos com vegetação, 17,5% do seu território. Até o levantamento anterior, com dados de 2001 e 2002, chegava-se a 13,9%.

A pesquisa completa, com informações detalhadas sobre cada região do Estado, será divulgada hoje à tarde pelo Instituto Florestal, órgão ligado à Secretaria do Meio Ambiente. O projeto custou R$ 1,5 milhão.

Para melhorar a precisão das informações, a secretaria passou a usar imagens do satélite japonês ALOS, que conferiu uma resolução quatro vezes superior à do sistema antigo.

Com isso, “surgiram” no Estado 184,5 mil fragmentos de vegetação até então desconhecidos, que pontilharam o mapa de pequenos pontos verdes.

O secretário Xico Graziano (Meio Ambiente) diz que é cedo para comemorar um aumento real das áreas de mata, mas a maior precisão vai permitir um controle mais eficiente dos licenciamentos ambientais.

“Ainda não dá para dizer que tenha aumentado a vegetação nativa, porque são pequenos fragmentos, mas está havendo uma recuperação de áreas [degradadas], então houve uma recomposição efetiva”, disse.

Também está prevista uma atualização da leitura das imagens, o que vai apontar, por exemplo, onde está ocorrendo desmatamento, tanto os autorizados quanto os clandestinos.

O coordenador do projeto, Marco Nalon, já adianta, porém, que há uma “pressão” de desmatamento em regiões de alta importância, como a da serra da Cantareira, principal mata da Grande São Paulo.

“Já podemos ver que a realidade é “menos pior” do que pensávamos. Tem ocorrido desmatamento, mas em uma taxa bem menor”, afirma o técnico.