Presos por execução, PMs são suspeitos de achacar traficantes

O Estado de S.Paulo - Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

sex, 22/02/2008 - 16h33 | Do Portal do Governo

O Estado de S.Paulo

Mais três policiais militares foram presos ontem por ordem do 2º Tribunal do Júri de São Paulo sob a suspeita de envolvimento em assassinatos na zona norte. Os três trabalhavam no 9º Batalhão da PM quando um grupo de extermínio matou dois e baleou sete em um ataque ocorrido em 12 de fevereiro de 2007, na Rua D. Bento Pickel, no Mandaqui, zona norte.

A polícia suspeita que o grupo de extermínio estava atrás de traficantes que não haviam pago propina. O bar onde o crime ocorreu não era um ponto-de-venda de drogas, mas abrigava uma roda de samba da qual participava um dos traficantes. Desde o assassinato em 16 de janeiro do coronel José Hermínio Rodrigues, comandante do policiamento da zona norte, já são dez os PMs presos por causa de ações de extermínio na região.

Uma das principais provas contra os suspeitos é o fato de uma testemunha ter anotado a placa do Palio que dava cobertura aos matadores, que chegaram em duas motos. Tratava-se da placa de um carro do Serviço Reservado do 9º Batalhão. Quem estava com o carro naquele horário era o cabo Lindberg Ferreira de Souza e o soldado Roberto de Deus Marcondes. O terceiro suspeito é o cabo Robson Ksenhuck. No local do crime foi encontrado um documento que pertence a Ksenhuck, mas, segundo o delegado Marcos Carneiro Lima, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), existe a hipótese de que colegas do cabo tenham plantado a prova.

Com os acusados, os policiais do DHPP e da Corregedoria da PM encontraram três armas. O crime da Rua D. Bento Pickel está ligado a outra matança ocorrida em 2007 na zona norte: o assassinato, em 1º de fevereiro, de seis jovens em um escadão no Jardim Elisa Maria. Um exame de balística comprovou que a mesma arma, uma pistola calibre 40, foi usada pelo grupo nos dois crimes.

Uma das sete pessoas que sobreviveram ao ataque na D. Bento Pickel, o porteiro Sidney Martins Dulfrayer foi morto pela Rota em 22 de janeiro. O Comando da PM informou ontem que abriu Inquérito Policial-Militar sobre o caso de Dulfrayer, mas a investigação ainda não foi concluída. Segundo a PM, ainda não foram constatados indícios de execução nem motivação relacionada a eventual represália ao sobrevivente.

O governador José Serra (PSDB) disse ontem, em São Vicente, na Baixada Santista, que o governo está trabalhando “duro” para combater os problemas que vêm ocorrendo em alguns batalhões. “Nós não admitimos esquadrões, grupos de extermínio. Estamos combatendo.”