Positiva inovação policial

O Estado de S. Paulo - Terça-feira, 2 de março de 2004

ter, 02/03/2004 - 10h29 | Do Portal do Governo

Editorial

O primeiro aspecto positivo do tipo de policiamento que a Polícia Militar está realizando na cidade de São Paulo, por meio de bases móveis – trailers especialmente equipados, que podem ser desmontados em apenas dez minutos e transferir-se para outros locais -, está no fato de implantar-se um novo sistema a partir de uma bem-sucedida experiência piloto. Pois antes de espalhar, desde janeiro, 22 dessas bases pela região central da cidade e outros pontos considerados críticos, em termos de incidência de roubos, furtos e outras modalidades criminosas, a PM manteve entre março e novembro do ano passado uma primeira unidade móvel no Vale do Anhangabaú, com o que foi reduzida em 50%, na região, a ocorrência de furtos e roubos de carteiras, bolsas, celulares e documentos.

Reportagem de Renato Lombardi, publicada ontem pelo Estado, dá conta de que esse policiamento também comprova a eficácia, hoje aceita internacionalmente, da chamada polícia comunitária – aquela que mantém um relacionamento estreito com os cidadãos, de forma direta ou por meio de associações de moradores e congêneres, como ocorre com a Associação Paulista Viva, na região da Avenida Paulista – o que se traduz nesta observação do tenente-coronel Roberto Rodrigues, comandante do 7º Batalhão, que atua no centro da capital: ‘Além do combate à criminalidade, nossos policiais têm se aproximado cada vez mais da comunidade e isso é importante.’

Sabe-se que a aproximação e o relacionameno entre polícia e comunidade foi um dos dois princípios fundamentais que revolucionaram o sistema de policiamento de muitos Estados e cidades dos Estados Unidos, nos anos 90, a partir de experiências especialmente desenvolvidas na cidade de Nova York (que alguns batizaram de ‘tolerância zero’). O outro, chamado de broken windows, consistia em não deixar passar pequenas infrações – e com isso chegar à inibição das grandes – dentro do pressuposto de que a tolerância ante o delito menor estimula o maior, assim como as vidraças quebradas que se deixa em um imóvel sugerem que ninguém está cobrando respeito a sua integridade. Foi fazendo revistas em busca de armas no metrô nova-iorquino que a polícia prendeu ali meliantes de há muito procurados. E foi o entrosamento dos policiais com os moradores de bairro que ajudou a elucidar crimes e inibir a atuação de gangs.

Os trailers, colocados de maneira constante ou intermitente em locais de maior risco, certamente exercem um efeito preventivo, de inibição da criminalidade local, assim como facilitam o entrosamento dos encarregados da segurança pública com as pessoas que estão na região, por moradia ou trabalho, com isso dando-lhes maior tranqüilidade de movimentação. Nesse sistema há a utilização de cães, de policiais a pé, de motos e bicicletas – o ‘trailer canil’ percorre pontos de alta incidência de roubos e furtos, com 7 policiais e 6 cachorros.

É claro que o uso dessas bases móveis não dispensa o esquema de atendimento por meio de viaturas ou de equipamentos mais pesados, e muito menos os padrões mais sofisticados de inteligência – também utilizados pela polícia paulista – em casos mais graves, como os de assaltos e seqüestros. Bem é de ver que deve haver uma diversificação de procedimentos, tanto quanto de armamentos e equipamentos de locomoção de policiais, conforme as inúmeras modalidades de delitos e as especificidades das regiões em que a polícia precisa proteger a vida, a integridade física e os bens dos cidadãos. De qualquer forma, a experiência da Base Móvel precisa ser multiplicada, pelo menos nos bairros da capital e cidades mais populosos do interior.