Polícia indicia 19 e desmonta nova cúpula de facção criminosa em SP

Diário de S. Paulo - 28/11/2002

qui, 28/11/2002 - 10h55 | Do Portal do Governo

Ofensiva contra a organização teve início em março de 2001, após motins em série nos presídios paulistas. Mais de 100 criminosos já foram presos

Criada há dois meses, após guerra interna de seus integrantes pela disputa de poder, a recente hierarquia da principal facção criminosa de São Paulo foi desmantelada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Os novos chefes, 17 homens do primeiro, segundo e terceiro escalões, além de mais dois colaboradores — entre eles Wanderson Nilton de Paula Lima, o “Andinho” —, foram indiciados por formação de quadrilha. Outros três, conhecidos como “Giló”, “Santista” e “Mi” ainda não foram identificados. O grupo contava com a ajuda de mulheres e de advogados que levavam e traziam recados. Todos vão ficar isolados em prisões de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Em tom festivo, o desmantelamento foi anunciado ontem pelo delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic). Ele apresentou o organograma com os nomes e as fotos dos novos chefes. Segundo Bittencourt, a facção criminosa foi desmantelada, porém não extinta: “A faccão é hoje uma organização falida, mas não acabou. É como um câncer. Tem de ser isolado e extirpado”.

O delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic, e o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) chegaram aos nomes dos novos chefes após ouvir oito horas de depoimento de José Márcio Felício, o “Geleião”. Fundador da facção, mas excluído do grupo pelo rival Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”, “Geleião” ajudou a polícia a esclarecer uma série de assassinatos e atentados contra bases da PM e também contra prédios públicos em São Paulo.

“Geleião” também acusou um senador do PT de ter prometido, antes das eleições, acabar com o RDD e com os bloqueadores de telefone celular nas prisões. Essas denúncias foram gravadas e filmadas, mas não foram colocadas no papel. A ofensiva contra a facção começou em março de 2001, após a rebelião em série nos presídios paulistas. Até agora mais de 100 criminosos foram identificados e presos. A polícia bloqueou 21 contas bancárias, a maioria em nome de mulheres dos chefes da facção.

Roberto Porto disse que é impossível saber a quantidade de dinheiro já movimentada pela facção. Ele acrescentou que “Andinho” era o financiador e doou ao grupo R$ 40 mil arrecadados com a venda de um Passat alemão. “Andinho” admitiu que tem a agência de carros Diniz Car, empresa que teria fornecido veículos à facção, mas negou o envolvimento na morte do prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, o “Toninho do PT”.

Josmar Jozino