Polícia Civil pede prisão de mais 2 PMs de batalhão da zona norte

Folha de S.Paulo - Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

qui, 21/02/2008 - 16h00 | Do Portal do Governo

Folha de S.Paulo

A Polícia Civil pediu a prisão preventiva de mais dois policiais militares do 18º Batalhão, localizado na zona norte (área que era comandada pelo coronel José Hermínio Rodrigues, assassinado em janeiro).

Eles são acusados de matar outro PM do batalhão e a irmã dele por causa de disputa de segurança de bingos.

O crime ocorreu em 12 de julho de 2006. Na época, os dois foram presos temporariamente por 60 dias e soltos -a promotoria entendeu que faltavam provas. Mas, após a morte do coronel José Hermínio, em 16 de janeiro, o caso foi reaberto.

No novo pedido de prisão, o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) acusa os soldados da PM Rogério Alberto Sol Jr. e Robson da Costa Oliveira de matarem a tiros o soldado Odair José Lorenzi e a irmã dele Rita de Cássia. O crime foi durante os ataques do PCC às forças de segurança do Estado e chegou a ser investigado como mais um atentado da facção criminosa.

Mas, de acordo com a Polícia Civil, os dois soldados foram fardados à casa de Lorenzi para conversar sobre segurança de bingos. Após discutirem, Lorenzi foi baleado pelos colegas, mas reagiu e acertou um deles.

Segundo a polícia, Oliveira atirou na cabeça de Rita, que estava na janela. A única sobrevivente foi a filha dela, que reconheceu os PMs na polícia.

Em suas defesas, os soldados alegaram ter ido à casa do colega, na Vila Cachoeirinha, porque escutaram tiros. Eles disseram não saber que ali morava Lorenzi e que foram surpreendidos por pessoas atirando neles e por isso revidaram.

O que chamou a atenção dos investigadores, no entanto, é o fato de dois projéteis da arma da vítima terem sido achados no colete de um dos soldados e um terceiro no corpo do que foi ferido. A perícia confirmou que as balas que mataram Lorenzi saíram das armas de Oliveira e Sol Jr. A Folha não encontrou os suspeitos para comentar a acusação.

O novo pedido de prisão será analisado pelo promotor Norberto Joia. Atualmente, sete PMs do 18º Batalhão estão presos acusados de participar de chacinas e por suspeita de integrar grupos de extermínio. Eles também são investigados por suposto envolvimento na morte do coronel Rodrigues.