Pesquisa inédita da Unesp ganha repercussão nacional

A Voz da Terá/Assis

qui, 10/09/2009 - 8h14 | Do Portal do Governo

Técnica desenvolvida usa células-tronco adultas no tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica 

O Jornal Nacional divulgou na última terça-feira sobre o surgimento de uma técnica na qual células-tronco adultas são utilizadas no tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), popularmente conhecida por enfisema pulmonar.

A pesquisa, que poderá revolucionar o tratamento da DPOC, foi desenvolvida em laboratórios do Departamento de Ciências Biológicas da FCL/Unesp/assis, pelo pesquisador doutorado em genética, João Tadeu Ribeiro Paes, e sua equipe.

Os primeiros resultados positivos foram constatados em cobaias animais. Os testes em seres humanos foram aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) no início de abril deste ano. Desde então, três pacientes já foram submetidos ao tratamento.

As células-tronco são retiradas da medula óssea do próprio paciente e injetadas em uma veia de seu braço. Os estudos mostram que grande parte das células vai diretamente para os pulmões, melhorando o estado de saúde dos pacientes.

Os procedimentos são realizados no Instituto de Moléstias Cardiovasculares, em São José do Rio Preto. O primeiro ocorreu em 11 de maio, sendo o paciente um médico paulistano que dependia de oxigênio até para dormir e que hoje, apresenta significativa melhora do quadro clínico.

O enfisema pulmonar é uma doença caracterizada pela dilatação excessiva dos alvéolos pulmonares que causa a perda de capacidade respiratória, debilitando o paciente para atividades corriqueiras como trocar de roupa.

Na experiência realizada com recursos próprios da Unesp, o professor João Tadeu usou camundongos transgênicos de uma linhagem especial fornecida pela Universidade de Osaka (Japão), denominada GFP (Green Fluorescent Protein).

Os referidos camundongos são resultado de uma modificação genética. Receberam o gene de uma água-viva, adquirindo, desta forma, uma coloração verde quando estimulados por luz ultravioleta. As cobaias foram induzidas com a aplicação de uma droga por via nasal a desenvolverem o enfisema pulmonar para assim simular a doença humana.

De acordo com o pesquisador, o tecido da célula-tronco adulta é retirado da medula óssea do fêmur do camundongo. “As células são processadas e o material injetado em uma veia da calda do animal. Após 28 dias é observada a formação de novos tecidos com capacidade respiratória”, explica.

O médico geneticista observa também que a melhora da capacidade respiratória foi confirmada pela regeneração do tecido pulmonar a partir da medida do diâmetro dos alvéolos – estruturas onde ocorre a troca de ar.

Parceria

O Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de São José do Rio Preto, investirá R$ 10 mil em cada um dos pacientes voluntários nessa fase inicial do projeto. Todos os pacientes deixaram de fumar há, pelo menos, seis meses. Serão acompanhados durante um ano com exames clínicos e laboratoriais.

Cada paciente recebe de 100 a 150 mililitros de sua própria medula óssea. Verificada a eficácia do procedimento, o mesmo será estendido a um número maior de voluntários em uma segunda etapa, até sua aplicação como terapia em maior escala.