Os professores têm aula. Com a polícia

Jornal da Tarde - 29/5/2002

qua, 29/05/2002 - 10h03 | Do Portal do Governo

Primeiro curso de capacitação de professores para o Plano de Segurança nas Escolas teve debate de que participaram o secretário estadual de Justiça, Alexandre Morais, a escritora Lygia Fagundes Telles e o jornalista Gilberto Dimenstein, além de policiais. Meta é transformar professores em agentes de cidadania

Pouco mais de mil professores da rede pública participaram ontem do primeiro curso de capacitação do Plano de Segurança nas Escolas, lançado no início do mês pela Secretaria Estadual de Educação. Sob o tema ‘Segurança se faz com educação. Educação se faz com afeto’, o curso reuniu 11 educadores de cada uma das 89 diretorias regionais de educação do Estado, em Vinhedo, no parque Hopi Hari.

Em palestras e debates, os professores foram convidados pelo secretário Gabriel Chalita a diagnosticar problemas sociais e abrir as escolas para promover integração com a comunidade. O Plano de Segurança nas Escolas foi dividido em duas frentes. A Secretaria irá investir R$ 12 milhões na formação dos educadores, e R$ 70 milhões em projetos de infra-estrutura.

Segundo Chalita, os cursos de capacitação envolverão 200 mil profissionais, inclusive policiais, para aperfeiçoar e atualizar o ensino em temas extracurriculares. O objetivo é criar uma estratégia voltada para a integração de aluno, comunidade e escola. ‘Os professores aprenderão a lidar com alunos viciados em drogas e investir em ações preventivas.’

O secretário acrescentou que os profissionais de ensino ‘deixarão de ser professores de uma matéria para se transformar em agentes transformadores no combate à violência’. Ele comentou que isso representa ampliar o conceito de professor para educador.

O primeiro de uma série de cursos que irão se estender até dezembro deste ano foi dirigido a 89 dirigentes de ensino e 930 assistentes técnicos pedagógicos. Participaram dos debates, entre outros, o secretário estadual de Justiça, Alexandre de Moraes, a escritora Lygia Fagundes Telles e o jornalista Gilberto Dimenstein.

A Lygia e Dimenstein couberam as palestras mais emocionadas. O jornalista apresentou ao público a jovem Esmeralda, ex-menina de rua, ex-dependente química de crack e ex-interna da Febem, que conseguiu superar as dificuldades e retomar os estudos, aos 19 anos.

Esmeralda contou que se sentia marginalizada na escola e só se integrou quando conseguiu resgatar sua auto-estima, processo no qual não contou com a ajuda dos professores. ‘Antes, eu ia a escola só para comer merenda, me sentia rejeitada, discriminada pela minha cor negra e por ser filha de mãe alcoólatra’, disse, lembrando que viveu nas ruas dos 7 aos 19 anos.

Lygia lembrou de seus tempos de estudante e disse que o respeito pela escola é importante no processo de aprendizado. Ela defendeu que o Brasil ‘precisa de mais creches e mais escolas, para ter menos hospitais e menos cadeias’.

Plano é dividido em dez metas

O Plano de Segurança nas Escolas, lançado no começo de maio, foi dividido em dez metas, que serão cumpridas até o final deste ano, conforme a secretaria. Em capacitação e apoio aos professores, o governo pretende investir R$ 12 milhões – R$ 10 milhões em cursos de capacitação, R$ 1 milhão em projetos de vivência, chamados trabalhos com temas tranversais, e R$ 1 milhão no Centro de Referência de Atendimento ao Professor.

Para os alunos e a comunidade estão programadas atividades culturais (R$ 7 milhões), artísticas (R$ 3 milhões), e abertura das escolas para programações de lazer no projeto Parceiros do Futuro (R$ 20 milhões em 200 escolas).

A Secretaria anunciou ainda investimentos de R$ 31 milhões em coberturas de quadras esportivas (500 escolas), instalação de câmeras de vídeo (2 mil escolas) e manutenção dos portões, muros e iluminação. A contratação, capacitação e equipamento de 3 mil agentes de organização e zeladores irá consumir outros R$ 6 milhões.

Há ainda o projeto de parcerias com empresas e municípios, além da criação de um sistema-piloto para identificação do aluno com cartões magnéticos e catracas eletrônicas, que a princípio abrangerá 50 escolas, ainda não definidas, em áreas de risco, por R$ 3 milhões.