Musas Vestidas

Revista Bravo

sex, 11/12/2009 - 7h49 | Do Portal do Governo

Um livro investiga como a moda aparece na arte ao longo de quatro séculos

Em junho de 1660, coube ao pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), contratado da corte de Felipe 4o, a organização do casamento da princesa Maria Teresa com o rei da França, Luís 14. Na época, a Espanha já havia entrado em um período de declínio e não podia deixar a situação transparecer, sob o risco de ver cancelada a conveniente aliança. Velázquez sabia que os franceses compareceriam à cerimônia ostentando luxo, principalmente usando tons de vermelho, a então cor da realeza. Pois o artista tratou de vestir os nobres espanhóis de preto e investiu nos tons prateados para as rendas e joias. Deu certo. Luís 14 e seus pares não só se impressionaram com o efeito poderoso das roupas dos vizinhos como ficaram completamente ofuscados por sua ousadia. Velázquez morreu dois meses depois do evento, e há quem diga que foi de exaustão.

Episódios assim pontuam tanto a história da arte como a da moda. Aliás, arte e moda encontram-se e se influenciam o tempo todo. Por três anos, a crítica e curadora Cacilda Teixeira da Costa estudou o assunto, e o resultado de sua pesquisa está no livro Roupa de Artista – O Vestuário na Obra de Arte, que ela lança neste mês pela Edusp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. A publicação começa com as pinturas renascentistas de nomes como Rembrandt e Rubens e chega aos dias de hoje, em que as próprias peças de figurino são manifestações artísticas. “Degas foi um marco nesse sentido quando colocou as saias de tule em suas esculturas de bailarinas”, diz Cacilda. O Brasil integra a lista com a proposta de traje tropical criada por Flávio de Carvalho, os parangolés de Hélio Oiticica, entre outros.