Governo de SP cria projeto de apoio para a exportação

Folha de S. Paulo - Segunda-feira, 24 de novembro de 2003

seg, 24/11/2003 - 9h18 | Do Portal do Governo

Pequenas e médias empresas, que hoje têm uma participação pequena nas vendas externas, serão a prioridade

O governo de São Paulo quer incentivar as pequenas e médias empresas a aumentar as exportações. A partir de hoje, o governo cede para o Celex (Centro de Logística de Exportação) parte das instalações do prédio onde funciona a secretaria de Agricultura.

O objetivo da instituição, que foi criada em agosto, é apoiar as empresas que fazem ou pretendem fazer operações no mercado externo. Vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Turismo, o Celex (Centro de Logística de Exportação) é uma entidade sem fins lucrativos, administrada pela iniciativa privada.

A intenção é que o centro abrigue representações do governo estadual, de organismos federais ligados à exportação, como a Apex (Agência de Promoção das Exportações), escritórios de entidades sindicais e patronais (como a Fiesp), agências de bancos, consultorias, cartórios e despachantes, representações de embaixadas e consulados de outros países, além de empresas.

‘Com a estagnação da economia, e necessidade de gerar renda, existe uma única oportunidade, que é a busca do mercado externo’, diz João Carlos Meirelles, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento.

A prioridade inicial serão as pequenas empresas. ”O pequeno empresário tem dificuldade para pensar em exportar porque na maioria dos casos, ele nem fala inglês. Ele é ao mesmo tempo administrador, despachante, contador da empresa’, diz o empresário José Americo dos Santos, um dos coordenadores do projeto.

De acordo com números do governo, no ano passado cerca de 8.000 pequenas e médias empresas no Estado exportaram o equivalente a US$ 2,76 bilhões -o que representou apenas 14% do volume total das exportações de São Paulo. A contribuição de empresas desse porte para a média brasileira (todas as exportações do país) não vai além de 13%. Nos EUA, por exemplo, empresas com até 20 empregados respondem por mais de 50% das exportações gerais norte-americanas.

Empresas financiam

Caberá à iniciativa privada recolher os recursos necessários às obras de adequação do prédio e a contratação de pessoal. Para isso, será formada uma associação no qual os cotistas adquirem títulos patrimoniais, com cada cota fixada em R$ 500 mil. Bancos, empresas e representações comerciais que, eventualmente, se instalariam no local estariam entre os possíveis compradores desses títulos. Somente as obras de adequação estão orçadas em R$ 7,5 milhões -outros R$ 7 milhões seriam para capital de giro.

As receitas para manutenção do Celex seriam obtidas, explica Santos, além do aluguel dos espaços para cotistas e clientes, via locação de áreas para eventos e de comissões pela intermediação de negócio e de agenciamento de serviços. Pelo cronograma, o centro estará em funcionamento, no novo prédio, em 120 dias.