Colesterol também é problema de criança

Jornal da Tarde

qui, 05/11/2009 - 7h24 | Do Portal do Governo

Instituto Dante Pazzanese atende 15 menores por mês com LDL aumentado 

Os problemas com o colesterol alto não são mais exclusividade dos adultos e adolescentes. É cada vez mais comum crianças, com idade entre 5 e 15 anos, sofrerem com a LDL (lipoproteína de baixa densidade), conhecida como mau colesterol. Especialistas afirmam que, na maioria dos casos, a doença é uma herança genética e apenas 10% a 20% das crianças conseguem se curar. 

Cerca de 15 crianças por mês são atendidas pela Sessão de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia com níveis elevados da gordura. 

Caso de Edson Benedito Silva Jr., de 8 anos, que há quatro frequenta o instituto. Na época, um exame detectou 690 mg/dl de colesterol em seu organismo – taxa considerada alta para a faixa etária. Adultos e jovens apresentam, em média, 200mg/dl da substância no corpo. Nas crianças, a dosagem não deve ultrapassar os 170mg/dl, explica Marcelo Bertolani, diretor da divisão científica do Dante Pazzanese. 

Em grande concentração no organismo, o LDL pode se fixar no interior das artérias, causando obstruções no sistema cardiovascular e aumentar o risco de enfarte, derrame, aneurisma, problemas renais e aterosclerose. 

A incidência do colesterol na infância está relacionada à má alimentação, ao sedentarismo e, principalmente, à hereditariedade. “Eu também me tratava do colesterol e os médicos estranhavam o fato de não conseguir baixá-lo, mesmo com remédios. Indicaram que meus familiares fizessem o exame e diagnosticaram todos (pai e os dois filhos) com a doença. Disseram que era genético”, diz a recepcionista Maria Salete da Silva, de 39, mãe de Edson. 

A endocrinologista Sandra Villares, coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas, afirma que “nas crianças, a maioria dos casos de LDL aumentado é resultado de um padrão familiar”. Prova disso é que crianças obesas, com sobrepeso, podem ter o colesterol normal e uma magra não. “Isso dependerá do metabolismo de cada pessoa”, diz Sandra. 

A doença na infância é absolutamente idêntica à apresentada nos mais velhos. O tratamento também é semelhante: controle da alimentação, exercícios e remédios, diz o nutrólogo Fábio Ancona Lopez, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Tive que cortar a fritura e maneirar nos doces. Mas é bem difícil controlar uma criança”, admite Maria Salete. 

Bolachas, chantilly, salgadinhos e frituras não aparecem no cardápio de Mateus, de 6. “Não tenho nem no armário para não deixá-lo com vontade. Tivemos que reeducá-lo a comer”, diz Maria Lúcia Cavalcante, de 36, mãe de Mateus, que faz natação para perder os quilinhos em excesso. Mesmo com o controle alimentar e o exercício físico, a endocrinologista afirma que apenas 10% a 20% das crianças com LDL alto se curam. “Mesmo com um estilo de vida saudável, a genética e o histórico familiar são determinantes. O importante é que o LDL seja controlado”, completa Sandra. 

Dieta 

Alimentos que devem ser evitados 

leite e iogurte integral,creme de leite, queijos amarelos e requeijão, chantilly, sorvete, leite condensado, gema de ovo,óleo de coco, maionese, chocolates, pães , massas à base de manteiga e gema de ovo, bolachas, embutidos, carne de porco, carne de boi com gordura, peles de frango, frutos do mar e frituras em geral 

Alimentos saudáveis que devem ser consumidos 

leite e iogurte desnatados, carnes magras (como peito de frango, peixes), óleo de soja, óleo de canola, óleo de milho, óleo de girassol, óleo de algodão, azeite de oliva, vegetais, molhos inglês, catchup, vinagre, mostarda, pimenta, castanhas, derivados de soja e queijos magros (ricota, cottage, cream cheese light) 

Lipoproteína ‘boa’ ajuda a controlar ‘ruim’ 

O colesterol é fundamental para a formação de células do organismo e responsável pela produção dos hormônios sexuais e sais biliares. A gordura é dividida, basicamente, em duas categorias: a HDL (lipoproteína de alta densidade) – a “boa” gordura – e a LDL (lipoproteína de baixa densidade) – a gordura “ruim”. 

Aproximadamente 70% da substância é produzida pelo fígado e 30% provêm dos alimentos de origem animal (carnes, ovos e leites). A gordura do bem ajuda o organismo a remover excessos do LDL. Dessa maneira, quanto maior a presença de HDL no organismo, melhor para a saúde. 

Já o colesterol ruim, de baixa densidade, deposita gordura nos vasos sanguíneos arteriais, deixando os estreitos e endurecidos (arteriosclerose), além de provocar outras doenças, como: enfarte, derrames, aneurismas e problemas renais.