Choque cultural no Interior

Correio Popular - Campinas - Quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

qui, 06/01/2005 - 8h39 | Do Portal do Governo

OPINIÃO

Boa parte dos 645 municípios do Interior de São Paulo passa direta ou indiretamente por uma transformação cultural

Cláudia Costin

Boa parte dos 645 municípios do Interior de São Paulo passa direta ou indiretamente por uma transformação cultural que deve trazer a médio e longo prazos uma nova realidade em relação à preservação e à difusão de suas manifestações artísticas e folclóricas. A partir de um interesse pessoal do governador Geraldo Alckmin, a Secretaria de Estado da Cultura tem investido cada vez mais em uma frente ampla de projetos para levar diversão e conhecimento a todas as regiões, das mais diversas formas.

O Estado reconhece a diversidade e a riqueza culturais do interior e quer levar possibilidades de ampliar isso. Ao mesmo tempo, existe a prioridade de democratizar a cultura, inclusive com prioridade para as 67 localidades mais pobres. É o que o governador define como “choque cultural”, com o propósito de despertar o interesse das pessoas por esse tipo de atividade. Como conseqüência, essas pessoas não encontram somente entretenimento e lazer, mas poderão se capacitar profissionalmente e até mesmo viver com mais qualidade e mais bem informadas. Ao mesmo tempo, esperamos romper com a tradição de que as artes se limitam apenas à capital do Estado.

Nada menos que uma dezena dos projetos estão voltados para as cidades do Interior, em diversos gêneros de artes. Destacam-se: São Paulo: Estado de Leitores, Todos os Cantos, Museu Vivo, Projeto Guri, Projeto Ademar Guerra, Pró-bandas e Pró-fanfarras, entre outras iniciativas pontuais. Em alguns casos, boas idéias superaram os poucos recursos e se tornaram possíveis graças às parcerias que firmamos com a iniciativa privada e à mobilização da comunidade. Acreditamos que o jovem que não tem oferta de cultura só recebe o que os meios de comunicação de massa oferecem.

O projeto Todos os Cantos se propõe a mudar com cultura os municípios com menor índice de desenvolvimento humano medido pelo IDH e pelo IPRS – Índice Paulista de Responsabilidade Social. Em cada um deles, estão sendo oferecidas atrações nas áreas de música, teatro e cinema, além de um reforço às bibliotecas locais, com doação de 300 livros para cada uma. Estão sendo investidos R$ 730 mil, dos quais 40% vêm de patrocínio do Banco Santander.

O teatro é uma das apostas. O Projeto Ademar Guerra – que teve uma mostra em abril com grupos amadores de bairros carentes da região de Araçatuba e São José do Rio Preto – ganhou fôlego como parte da política cultural que prevê a formação de grupos e platéias e o estímulo à produção e à circulação de espetáculos por todo o Estado. Já foram atendidos mais de 200 grupos amadores em 117 cidades do Interior e da Grande São Paulo.

São Paulo: Um Estado de Leitores é uma série de ações reunidas numa só marca. Seu principal propósito é desenvolver o hábito da leitura por prazer. Para isso, a meta é fazer com que todos os municípios tenham bibliotecas. Em abril do ano passado, quando teve início, o déficit era de 84 cidades. Até dezembro, esse número foi praticamente zerado – 56 foram inauguradas e as outras 28 aguardam apenas agendamento com as prefeituras. Tudo feito por meio de adoção das cidades pela iniciativa privada e parceria com as prefeituras, independentemente do partido político que governa cada município.

Muitas vezes, o certo não é inventar um projeto novo, mas trabalhar os que já existem, de uma outra forma. Foi o que aconteceu com o Revelando São Paulo, que ganhou edições no Vale da Paraíba e no Vale da Ribeira. O evento reuniu, em 2004, um total de 400 mil pessoas. O projeto foi criado no cone leste para representar a cultura de tradições sustentada pelo tropeirismo em atividades de música, dança, religiosidade e outras manifestações do Vale.

O raciocínio da nossa política cultural está centrado no conceito de política pública, focada no cidadão e não no artista. A finalidade da ação do Estado na cultura é estendê-la aos 38 milhões de habitantes de São Paulo. Assim, procuramos privilegiar três elementos importantes de ação: a democratização do acesso aos bens e à produção cultural; gestão responsável dos recursos a serem aplicados; e, por último, a nossa rica diversidade artística, não deixando ninguém de fora.

Cláudia Costin é secretária de Estado da Cultura de São Paulo