Capitão é investigado pela morte de coronel

Folha de S.Paulo - Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

qui, 21/02/2008 - 16h36 | Do Portal do Governo

Folha de S.Paulo

A polícia investiga um capitão da corporação e um sargento, filho de um oficial reformado da PM, por suspeita de participação no assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, 48, ocorrido em 16 de janeiro.

As investigações apontam que o capitão (que não teve sua identidade confirmada pela Folha até agora) e o 2º sargento Lelces André Pires de Moraes Júnior são suspeitos de comandar um grupo de policiais que exploram caça-níqueis, jogo do bicho e extorsão de dinheiro contra traficantes da zona norte de SP.

Em alguns casos, segundo a investigação, PMs da região seriam donos de máquinas caça-níqueis; em outros eles dariam proteção aos donos dos equipamentos e também aos bicheiros da região. Dos traficantes, os PMs exigiriam dinheiro para fazer vista-grossa para as bocas-de-fumo.

Em meio às contravenções, os PMs são suspeitos de matar quem tentasse furtar ou roubar os caça-níqueis, bancas do jogo do bicho e também os traficantes que passassem a se recusar a pagar propina. O coronel teria sido morto por tentar evitar o esquema.

Em 1º de fevereiro de 2007, seis jovens foram mortos e um sétimo foi baleado num atentado ocorrido numa escadaria do Jardim Elisa Maria (zona norte). Um dos mortos, Francisco Itamar Lima da Silva, 17, era o alvo dos assassinos.

O motivo apontado pela investigação: dias antes do crime, ele tentou furtar uma máquina caça-níquel que estava na padaria Light, no mesmo bairro. A máquina seria controlada por PMs da área.

A polícia apura a participação no crime de um PM da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e dois outros do serviço secreto do 9º Batalhão, também na zona norte. Um carro da Rota é suspeito de ter dado cobertura ao crime.

O 2º sargento é filho do coronel reformado pela PM Lelces André Pires de Moraes que já ocupou o mesmo cargo Rodrigues à frente do comando da PM em toda a zona norte.

Ex-integrante da Rota, espécie de tropa de elite da PM paulista, o 2º sargento teve duas pistolas 380 mm apreendidas pela corregedoria na casa onde vive com a família, também na zona norte, dois dias após o assassinato de Rodrigues. As armas são particulares e do mesmo calibre que a usada para matar o oficial.

Já há há sete policiais militares do 18º batalhão presos por suspeita de integrarem um grupo de extermínio na zona norte. O capitão e o 2º sargento também são investigados por participação neste grupo.

Ontem, a Justiça decretou a prisão de três PMs do 9º Batalhão. Eles são acusados de participar de um atentado em 12 de fevereiro de 2007, também na zona norte. À época, o comando da área estava com o coronel Rodrigues. Duas pessoas morreram na ação.