Café ganha recursos para agregar valor

O Estado de S. Paulo - Suplemento Agrícola - 7/5/2003

qua, 07/05/2003 - 9h10 | Do Portal do Governo

Tatiana Fávaro


Linha de financiamento servirá para melhorar qualidade do grão em Ourinhos e Avaré

As regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) em Avaré e Ourinhos já estão recebendo projetos de cafeicultores com receita anual de até R$ 100 mil, interessados em integrar o projeto Agregação de Valor – Qualidade do Café e se beneficiarem pela linha de financiamento lançada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), dia 28, na Agrishow 2003.

De acordo com o secretário de Agricultura do Estado, Duarte Nogueira, R$ 2,5 milhões já estão disponíveis nas agências da Nossa Caixa. Nogueira informou que o projeto tem o objetivo de estimular a produção de cafés finos ou especiais e evitar mais migrações para os centros urbanos.

Cada produtor pode solicitar até R$ 20 mil para a compra de equipamentos de preparo de café e até R$ 5 mil para infra-estrutura e maquinário para secagem do grão. ‘Alguns produtores solicitam menos que o teto, portanto, devemos ajudar mais de cem cafeicultores’, afirma o secretário.

O prazo para pagamento será de até cinco anos, com juros de 4% ao ano. Os interessados devem apresentar seus projetos aos técnicos das casas de agricultura de seus municípios ou às regionais da Cati, que emitirão um laudo para o Fundo de Expansão e Abastecimento do Estado de São Paulo, agente promotor do projeto. O dinheiro será liberado diretamente aos fornecedores. O reembolso, explica o secretário, deverá ser feito em quatro parcelas, com carência de um ano e meio.

Critérios – Segundo Nogueira, as regiões de Avaré e Ourinhos foram escolhidas por enfrentarem, durante a época de colheita, a elevada umidade relativa do ar, fator que facilita a fermentação dos grãos durante a secagem e prejudica a qualidade do produto. ‘Produtores dos 29 municípios beneficiados poderão se habilitar para o programa. Dependendo da demanda, buscaremos recursos para ampliar o projeto.’

O decreto que instituiu a linha de financiamento, assinado pelo governador logo após a abertura da feira, tem ainda a função de impulsionar o programa Selo de Qualidade do Produto de São Paulo, criado pela Secretaria de Agricultura do Estado em dezembro de 1999. Até agora, o programa já garantiu selo de qualidade a dez cafés tipo superior e gourmet.

Apoio – De acordo com o diretor-regional da Cati em Ourinhos, Nírio Antonio Berndt, com condições de comprar equipamentos, as propriedades agrícolas da região poderão tornar-se agroempresas de pequeno porte. ‘Já treinamos os produtores para o pós-colheita, para armazenar, secar e moer corretamente o café’, afirma Berndt. ‘Se os cafeicultores se organizarem poderão manufaturar seu produto até as prateleiras e agregar até 100% de valor à saca produzida.’

O diretor explica que, depois de aprovado, o projeto do produtor tem todo o apoio técnico da Cati para ser posto em prática. A região de Ourinhos é a segunda em produção de café no Estado. Com cerca de mil produtores, tem por volta de 23 mil hectares de área em produção e outros 3.500 hectares de áreas novas. De acordo com Berndt, a produção chega a 350 mil sacas de 60 quilos.

Na região de Avaré, esse volume chega, segundo o diretor da Cati, Antonio Rangel, a 90 mil sacas. ‘Hoje, a diferença de preço entre o café cereja descascado, chamado especial, e o café de qualidade inferior chega a 30%.

Poder comprar equipamento para melhorar a produção será muito importante para a região.’ Segundo Rangel, o kit de lavador e descascador de café cereja não sai por menos de R$ 15 mil. ‘É um maquinário primordial para quem quer produzir café de qualidade.’

Serviço: Cati Ourinhos, (0–14) 3326-4477; Cati Avaré, (0–14) 3733-1977