Assembléia transfere Faenquil para USP

ValeParaibano - São José dos Campos - Sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

sex, 10/12/2004 - 9h32 | Do Portal do Governo

Deputados aprovam projeto que repassa controle da instituição de Lorena para a Universidade de São Paulo

Guilherme Busch
De Lorena

A Assembléia Legislativa aprovou ontem projeto de lei do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que extinguiu a Faenquil (Faculdade de Engenharia Química de Lorena) e autorizou a transferência da instituição para a USP (Universidade de São Paulo).

Com a aprovação, que depende agora de sanção do governador para entrar em vigor, a Faenquil deve ganhar, a partir de 2005, a ‘grife USP’ e passar a ser o primeiro campus da universidade, uma das mais importantes do país, no Vale do Paraíba.

A votação deveria ter ocorrido na semana passada, mas foi adiada por falta de acordo entre governo e oposição na Assembléia em outro projeto, que tratava de aumento da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

A Faenquil tem 1.680 alunos, entre quatro cursos de graduação e técnicos. Possui 207 funcionários, e realiza exame vestibular oferecendo 240 vagas no próximo domingo, dia 12 (leia quadro abaixo).

O diretor da Faenquil, Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino, disse ontem que a aprovação já era esperada. ‘Uma questão política atrasou o processo, mas agora já temos a definição e vamos começar o ano de 2005 na USP’, disse.

Como principal reflexo imediato da mudança da Faenquil para a USP, Aquino citou o aumento de 32% na procura pelo vestibular. ‘A USP é um nome muito forte e que acaba despertando mais interesse nos estudantes’, afirmou.

FUNCIONÁRIOS – A maior preocupação da Faenquil era quanto aos funcionários, que não poderiam ser incorporados imediatamente à USP, como toda a estrutura da Faenquil, sem serem aprovados em um concurso.

Eles vão ficar ‘emprestados’ pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo até que o concurso seja realizado.

A previsão, segundo o secretário-adjunto, Fernando Dias Menezes, é de que isso seja feito a partir dos primeiros dias de 2005, dentro de um cronograma elaborado em reunião com representantes da Faenquil, da secretaria, da USP e da Procuradoria do Estado.

‘Vamos criar os cargos e abrir o concurso para as vagas, mas posso garantir que houve uma preocupação de manter todos os funcionários da instituição em seus empregos. Ninguém vai perder o trabalho, nem depois que o concurso for realizado, nem se não for aprovado no concurso’, diz Menezes.

Eli Honorato, presidente da Associação dos Funcionários da Faenquil, não foi localizado ontem.

A assessoria de imprensa da USP informou que deve se manifestar hoje sobre o assunto.

REPERCUSSÃO – O deputado Carlinhos Almeida (PT), presidente da comissão de Educação da Assembléia e que tem como base eleitoral o Vale do Paraíba, afirmou ontem a medida favorece a região, mas defendeu um acompanhamento rigoroso do processo de transição.

‘Nada no projeto garante que sejam ampliadas as vagas e os cursos na Faenquil, como se tem dito. Da mesma forma que apoiamos a aprovação vamos cobrar coerência do governador para investir em vagas e ampliação da estrutura’, disse o petista, que integra a base de oposição ao governo Alckmin.

O deputado Vanderlei Macris (PSDB), que também esteve na sessão e propôs regime de urgência na votação ontem, afirmou que a região deve ganhar com a mudança. ‘A Faenquil é uma comunidade científica de respeito, e deve ganhar com isso’, afirmou o tucano.