Águas subterrâneas mantêm qualidade para consumo em SP

Gazeta Mercantil - Sexta-feira, 30 de abril de 2004

sex, 30/04/2004 - 10h28 | Do Portal do Governo

Andrea Vialli

As águas subterrâneas do estado de São Paulo mantêm um excelente nível de qualidade e poderão ser um valioso complemento para abastecimento público, em especial na região metropolitana da capital. A conclusão é do Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas do Estado de São Paulo, estudo feito pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e divulgado ontem, em São Paulo.

Foram analisadas amostras colhidas em 162 pontos de monitoramento em todo o estado, que abrangeram os seis principais aqüíferos: Guarani, Bauru, Cristalino, Tubarão, Serra Geral, Taubaté e Formação São Paulo. De acordo com o relatório, 90% das amostras apresentaram qualidade ex-celente e os 10% restantes foram classificadas como aceitáveis, o que significa que as águas precisam passar por tratamento convencional antes de ser consumida. Os resultados serão encaminhados ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado, responsável pela fiscalização da potabilidade, e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), responsável pela outorga dos poços artesianos.

O levantamento demonstrou que 72% dos 645 municípios do estado utilizam água subterrânea em maior ou menor escala. Na região oeste do estado, 80% das cidades são abastecidas exclusivamente por captação subterrânea. Isso é explicado pelo fato de na região coexistirem dois dos maiores aquíferos: o Guarani, maior manancial subterrâneo de água doce do mundo, com 840 mil km² só no Brasil, e o Bauru, que se estende de norte a sul do estado e ocupa 42% do território paulista.

A boa qualidade das águas subterrâneas, inclusive nos aquíferos localizados sob a Grande São Paulo, não surpreende os especialistas. Para João Carlos Simanke de Souza, vice-presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), os aqüíferos ‘são um recurso naturalmente protegido, por estarem de 50 m a 1.800 m de profundidade, o que os torna relativamente imunes às inúmeras fontes de poluição’. No entanto, foram registrados casos pontuais em que as águas não estavam em boas condições de potabilidade. O nitrato, que indica presença de matéria orgânica – lixo, esgoto e fertilizantes nitrogenados – foi detectado acima dos padrões em 3% dos poços analisados. Em 11% deles foi encontrado cromo em quantidades elevadas, o que pode ter tanto origem natural (rochas, material vulcânico) ou antrópica (resíduo da indústria de cimento e galvanoplastia). Foram registrados ainda bário, chumbo, alumínio, ferro e manganês em proporções acima dos padrões em alguns pontos.

Clandestinos

Em tempos de crise no abastecimento da região metropolitana de São Paulo, a água limpa dos aqüíferos representa uma preciosa alternativa, que no entanto deve ser muito bem gerida. Hoje, a RMSP já consome 8 m³/s de água subterrânea, integrada aos sistemas produtores superficiais, que fornecem ao todo 68 m³/s para a população.

A Cetesb alerta, no entanto, para o problema dos poços clandestinos. Segundo estimativa feita pela Abas com base em informações fornecidas pelas empresas de perfuração de poços, existem cerca de 5 mil poços clandestinos em operação na Grande São Paulo, que não possuem licença de operação nem outorga do DAEE. É um número alto, quando comparado aos 7 mil que operam em condições legais. ‘Os poços clandestinos são difíceis de fiscalizar e provocam duplo prejuízo ao erário público, pois, quem perfura, deixa de pagar a conta de fornecimento de água e produz esgoto, que é lançado na rede coletora’, explica Dorothy Carmen Casarini, gerente de Qualidade do Solo, Águas Subterrâneas e Vegetação da Cetesb. Para ela, é preciso priorizar a água subterrânea para abastecimento público.