Tesouros do Estado começam a ser apresentados pela internet

O Governo de São Paulo possui um verdadeiro tesouro escondido em Secretarias, órgãos, fundações, autarquias e empresas nas quais o Estado participa. São obras de arte, algumas de artistas famosos […]

qua, 20/08/2008 - 16h15 | Do Portal do Governo

O Governo de São Paulo possui um verdadeiro tesouro escondido em Secretarias, órgãos, fundações, autarquias e empresas nas quais o Estado participa. São obras de arte, algumas de artistas famosos ou importantes, todas de inestimável valor histórico, que ficam dentro de gabinetes, escolas, saguões de prédios, enfim, espaços que não são destinados à visitação pública. A partir deste domingo, 24, Dia do Artista, toda a população terá acesso a parte dessas obras de arte, pela internet.

O site www.saopaulo.sp.gov.br/patrimonioartistico entra no ar com cerca de 140 obras de arte, das aproximadamente 3.000 que compõem o patrimônio do Estado que não pertence a museus ou coleções do Estado. O portal continuará sendo alimentado até que todas as obras estejam disponíveis na internet.

Entre os tesouros que já podem ser vistos estão o óleo sobre tela ‘Retrato de Benedito Calixto’, de autoria de Bernardino de Souza Pereira, da segunda metade do século XX, localizado numa escola no litoral; O Tríptico (tipo de obra composta por três quadros), de Hélios Seelinger, outro importante personagem da história da arte brasileira, fundador da Casa dos Artistas e das Sociedades Brasileira de Belas Artes e dos Artistas Nacionais, pertencente ao Instituto Florestal; e diversas obras de Aldemir Martins, na maioria retratando animais de nossa fauna, que se encontram na Fundação Zoológico.

Uma das obras de arte mais caras encontradas durante a catalogação do patrimônio estadual e já disponível no site é a escultura em madeira Sant’Ana, de artista anônimo, encontrada no Palácio dos Campos Elíseos. “Talvez essa obra nem tenha sido feita por um artista profissional, mas seu valor decorre do fato de ter sido produzida no século XVI, quando comumente obras desse tipo eram feitas, por exemplo, para catequizar os índios. É uma obra de valor histórico muito grande”, comenta o coordenador do Grupo de Catalogação e Divulgação do Acervo Artístico do Estado (CDAA), Pedro Jacintho Cavalheiro.

Ferramenta para pesquisa

O site foi pensado para permitir o acesso da população às obras de arte e como ferramenta para professores, estudantes, pesquisadores e demais interessados em arte. As imagens privilegiam detalhes das obras e, no caso de esculturas, permitem que se veja o objeto por vários ângulos. Além das imagens das obras é possível encontrar informações sobre os artistas que as produziram, o período e o movimento artístico a que pertencem.

Pesquisadores, estudantes e professores também têm a possibilidade de solicitar, pelo site, uma visita individual à obra. O agendamento da visita, porém, dependerá da disponibilidade do ocupante do espaço onde a obra fica.

Algumas obras estão em local de acesso ao público. “O Metrô, por exemplo, tem muitas obras que podem ser vistas pela população nas Estações. Outro espaço que também abriga obras do acervo do Governo é o Memorial da América Latina, que tem painéis de Portinari, Poty e Caribé no salão de Atos Tiradentes. Essas obras, que estarão no site em breve, podem ser vistas por quem visita o Memorial”, afirma Cavalheiro.

O trabalho de catalogação

O coordenador do Grupo de Catalogação e Divulgação do Acervo Artístico do Estado (CDAA), Pedro Cavalheiro, explica que há muitos anos o Governo paulista foi um grande mecenas. Comprou diversas obras de arte, que foram distribuídas em Secretarias, órgãos, fundações e autarquias. Aquelas que não ficaram nos Palácios (dos Bandeirantes, de Campos do Jordão e do Horto) ou museus, como a Pinacoteca, não foram catalogadas.

“Com as mudanças de equipes a cada mandato, muitas dessas obras foram parar em depósitos, ou por desconhecimento do novo ocupante da sala, ou porque estavam danificadas”, lembra Cavalheiro, que há cerca de dois anos iniciou a identificação e catalogação de todo o patrimônio artístico-cultural que não pertence a museus ou coleções do Estado.

Foi um trabalho árduo, uma vez que o Governo de São Paulo tem quase 90 órgãos subordinados às 26 Secretarias, além de fundações, autarquias, empresas estatais e as cerca de 6.000 escolas estaduais espalhadas por todo o Estado. “Foi um verdadeiro garimpo. Precisamos separar o joio do trigo, ou seja, identificar o que era obra de arte e o que não tinha nenhum valor artístico-cultural, já que não é possível ter uma pessoa especializada em arte em cada órgão do Governo”, conta o coordenador do CDAA.

Além de permitir o acesso a esse material, o trabalho de catalogação também trará benefícios para muitas obras de arte, que poderão contar com trabalhos de restauro por equipes do Estado. Cavalheiro destaca ainda a questão da segurança das obras. “Com a publicação das obras no site, elas ficam, de certa forma, protegidas porque o mercado da arte costuma consultar os catálogos antes de comprar uma nova obra”, comenta.

Cíntia Cury