Casos prováveis de Covid-19 nas escolas são 31 vezes menores que incidência estadual

2⁰ Boletim Epidemiológico da Educação e acordo de cooperação entre Seduc-SP e BID foram divulgados nesta sexta-feira (7)

sáb, 08/05/2021 - 14h50 | Do Portal do Governo

O secretário da Educação, Rossieli Soares, e o epidemiologista Wanderson Oliveira, coordenador da Comissão Médica da Educação, divulgaram nesta sexta-feira (7), em coletiva virtual, o 2⁰ Boletim Epidemiológico da Educação. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para a Covid-19 (Simed), que reúne informações sobre casos registrados pelas escolas.

“Estamos buscando sempre trabalhar com evidências, acompanhando tudo que acontece e todas as movimentações no mundo, mas também observando, obviamente, os números daqui do estado de São Paulo e para isso o trabalho da Comissão é essencial”, iniciou Rossieli.

Entre os dias 3 de janeiro até 1 de maio de 2021, o Simed registrou nas escolas das redes estadual, municipal e privada, 28.064 notificações válidas relacionadas a casos suspeitos e confirmados de Covid-19. Destas 5.651 são casos prováveis, 6.559 casos descartados, 7.844 casos com resultado inconclusivo e 8.010 em investigação.

Estas classificações foram adaptadas pela Comissão Médica da Educação, pois a confirmação só deve ser feita pela Secretaria de Saúde ou com laudo de exames positivos. “A partir de agora o que a gente chamava de casos confirmados passam a ser casos prováveis. Essa definição é prevista na epidemiologia e usada com regularidade, inclusive a própria OMS tem definição de casos prováveis. Então para nós da Educação essa é uma definição operacional de tal maneira que a gente garanta somente as pessoas que possuem de fato a informação de que realizaram o RT-PCR ou teste de antígeno com resultado positivo registrado no sistema”, explicou epidemiologista Wanderson Oliveira.

Entenda 

CLASSIFICAÇÃO 

DESCRIÇÃO 

Confirmado 

(Ainda não disponível no Simed) 

  • Registros validados pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo por meio da interoperabilidade

OU

  • Registros com imagem do laudo laboratorial ou médico anexados ao registro

Provável 

Registros com informação de realização de RT-PCR ou Antígeno com resultado POSITIVO

Inconclusivo 

Registros com informação de resultado inconclusivo informado pela Escola OU

Registros em aberto com período superior a 60 dias conforme IN 02/2005 do Ministério da Saúde OU

Resultado positivo em testes sorológicos (captura de anticorpos)

Descartado 

Registros com informação de resultado negativo no teste ou evolução informado.

Investigação 

Campos em aberto

Em comparação, a taxa de incidência do estado de São Paulo entre as semanas epidemiológicas 1 e 17 deste ano é 3.132 casos por 100 mil habitantes. Já a taxa de incidência observada nas notificações do Simed é 98 casos por 100 mil pessoas, ou seja, 31 vezes menor do que a estadual.

Ainda, os 39 registros com informação de óbito estão sendo investigados pelas Secretarias de Saúde e Educação para avaliação da relação dos mesmos com atividade presencial na escola durante o período de transmissão.

Dos casos prováveis, 3.710 são registros da rede estadual ligada a Seduc, 128 da rede estadual ligada a outros órgãos, 1.764 da rede privada e 49 das redes municipais.  O preenchimento no Simed é obrigatório para as escolas de todas as redes, com exceção daquelas em que os municípios possuem conselhos próprios.

Wanderson Oliveira explicou que para o registro ser válido dentro do Simed deve haver uma investigação do caso. Se alguém da escola apresentar dois ou mais sintomas tem que se considerar a data de início e tempo de incubação do vírus. “Precisa checar se a pessoa esteve presencial em atividades na escola […] Se não esteve na escola nesses 14 dias (tempo para incubação do vírus) esta não é uma infecção da comunidade. Apesar da pessoa ser ligada a escola nós não queremos saber se ele teve Covid ou não, nós queremos saber se ele pegou Covid durante uma atividade presencial na escola”, afirmou

Acordo de cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento 

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) também fez um acorde de cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O intuito é gerar evidências de alto rigor científico sobre a relação da Covid-19 com a Educação.

“O fato de a gente conseguir produzir estas evidências é o que vai gerar uma volta às aulas cada vez mais segura […] Isso não vai ser importante somente para o estado de São Paulo, pois existe uma falta hoje de evidência para pautar países em desenvolvimento, então a gente precisa produzir evidência para o nosso contexto. É diferente você comparar Brasil com Suécia, onde se tem muitos estudos”, afirmou João Cossi, especialista em educação do BID.

O objetivo principal da parceria é analisar os dados individualizados, por aluno, das Secretaria de Educação e Saúde combinados permitindo que as análises sejam geradas em níveis mais específicos.

Os estudos programados são:

• Detalhamento dos impactos educacionais do fechamento e abertura das escolas em SP

• Análise do impacto da reabertura das escolas na disseminação da Covid-19 no nível escolas e domicílio

• Monitoramento dos impactos educacionais durante a reabertura das escolas em 2021 para identificar desigualdade entre estudantes