USP: Tratamento acelera consolidação óssea em casos de pseudoartrose

Aplicações de ultra-som reduzem tempo de recuperação de fraturas em até 40%

ter, 03/05/2005 - 18h51 | Do Portal do Governo

A recuperação de uma fratura óssea pode demorar por retardo na consolidação ou não acontecer pela ocorrência de uma pseudoartrose. Uma pesquisa com 40 pacientes do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC/FMUSP) mostrou a eficiência do ultra-som de baixa intensidade na consolidação óssea em casos de pseudoartrose.

O estudo foi realizada pelo ortopedista Walter Targa, que durante quatro anos acompanhou pacientes com lesões na tíbia, divididos em dois grupos. Um deles utilizou apenas fixador externo e o outro fez o tratamento com ultra-som (Exogen) mais fixador. ‘Em média, os pacientes com pseudoartrose que se trataram com ultra-som consolidaram a fratura em 100 dias, contra 130 dos que tinham apenas o fixador’, afirma o médico. ‘O tempo de recuperação pode ser reduzido em até 40%.’

A pseudoartrose pode ocorrer por problemas de ordem mecânica, quando persistem movimentos nos focos de fratura. ‘Isto acontece pela não contenção dos fragmentos ósseos com aparelho gessado ou por osteossínteses (pinos, placas e parafusos), insuficientes’, explica. ‘A doença também pode ter causas biológicas, quando há falta de sangue para irrigar fragmentos ósseos fraturados.’ De acordo com Targa, a consolidação óssea em casos de pseudoartose ocorre em média seis meses após a cirurgia.

Ondas
O aparelho de ultra-som utiliza energia mecânica para produzir energia elétrica, na forma de ondas de pressão, num fenômeno conhecido como efeito piezelétrico. ‘As ondas atuam sobre os íons de cálcio do osso, direcionando-os e estimulando a regeneração’, diz. ‘O ultra-som também pode ser usado em casos de fraturas que não necessitam de fixador externo.’

Targa ressalta que o tratamento de fraturas com ultra-som de baixa intensidade não possui contra-indicações, ao contrário de outros tratamentos. ‘Medicações a base de cálcio podem provocar cálculos renais e os anti-inflamatórios apresentam risco de problemas cardíacos’, aponta o médico do HC. ‘O uso do Exogen é mais uma arma no tratamento de fraturas ósseas, com maior certeza da consolidação em menos tempo.’

Embora o aparelho de ultra-som seja importado dos Estados Unidos, o médico lembra que a tecnologia do Exogen foi criada no Brasil pelo professor Luiz Duarte, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, nos anos 70. ‘Apesar do pioneirismo, a técnica ainda é pouco utilizada nos serviços de saúde brasileiros.’

Júlio Bernardes – Agência USP