USP prepara uma série de atividades para comemorar os 70 anos de sua criação

Universidade faz um balanço da situação atual e traça novos caminhos para o futuro

qua, 26/02/2003 - 10h23 | Do Portal do Governo

Da Agência Imprensa Oficial


A Universidade de São Paulo (USP) começa a preparar, praticamente com 12 meses de antecedência, uma série de atividades para comemorar os 70 anos de sua criação. Fundada em 25 de janeiro de 1934, a universidade faz um balanço da sua situação atual e traça novos caminhos para o futuro, firmando-se como um dos pilares do desenvolvimento cultural, histórico, científico e tecnológico do Estado de São Paulo e do País.

Na pauta das preocupações está um dos grandes desafios das universidades públicas paulistas: a expansão do sistema público de ensino superior. USP, Unesp e Unicamp atendem a 8,8% dos estudantes, os demais 91,2% vão para as instituições privadas. Em 2002, a USP ofereceu mil novas vagas. As particulares criaram três cursos por dia nos últimos dois anos. Possuem 400 mil vagas ociosas devido à inadimplência. Os alunos desistem por não terem condições de continuar pagando as mensalidades.

Para minimizar o problema de escassez de oportunidades no ensino superior gratuito, a USP construirá um campus na zona leste, que deverá ficar pronto em 2004 e oferecerá mil vagas, e promoverá a ocupação de seus espaços ociosos pelas Fatecs, como ocorre em São Carlos.

Outra iniciativa é identificar quais são as maiores dificuldades encontradas pelos vestibulandos egressos da rede pública. De posse dessa informação será possível fazer adequações nas provas para aumentar o índice de aprovação desses alunos.

“A concepção atual da USP permite a ampliação de vagas, mas há limites para manter a qualidade e a excelência conquistadas. Neste ano vamos receber 8.331 novos alunos. Acredito que podemos chegar a oferecer 10 mil ou 11 mil vagas por ano, mais do que isso será impossível”, calcula o reitor Adolpho José Meifer.

Ele acrescenta que outra saída seria aumentar a oferta de bolsa de estudos para alunos carentes nas faculdades que obtêm conceitos A e B no “provão” realizado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Memória viva

Para planejar, organizar e coordenar o aniversário dos seus 70 anos, a instituição criou uma comissão executiva formada por 13 pessoas de diversas faculdades. Está sendo elaborada uma extensa programação para ser cumprida durante todo o ano de 2004, com publicações, simpósios, conferências, filmes, apresentações de orquestras e teatro.

A idéia é envolver a participação de todas as unidades da USP, cada qual interagindo de acordo com a sua vocação, segundo explica a presidente da comissão, a professora Maria Ruth Amaral de Sampaio, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).

Outra atração das festividades é a Conferência da Unesco que ocorrerá em julho. Durante uma semana mais de 800 pesquisadores de todo o mundo se reunirão para discutir os caminhos e o papel das universidades e da Educação.

Antigos alunos, mestres ilustres que tiveram longa vivência na USP e algumas personalidades serão convidados para expor seu pensamento sobre a trajetória da instituição. Muitos nomes ainda serão definidos. Mas alguns são considerados “presença obrigatória”, como o etnólogo Claude Lévi-Strauss (integrante da chamada “missão francesa”, ao lado de Roger Batiste, Braudel e George Dumas). Eles foram os responsáveis pela estruturação da Faculdade de Filosofia da recém-criada USP. Fazem parte desse grupo seleto o professor da FFLHC, Antônio Cândido de Melo e Souza e o geógrafo Aziz Ab´Saber.

O próprio reitor é testemunha viva de parte da história da USP. Há mais de 40 anos participa da vida diária da maior instituição de ensino superior e de pesquisa do País e terceira da América Latina. Começou como aluno, foi professor, diretor de instituto e agora ocupa o cargo máximo desde novembro de 2001.

Sobre seus ombros repousam a responsabilidade de administrar 66 unidades, incluindo faculdades, institutos, museus e hospitais, distribuídas ao longo de seis câmpus universitários: um na capital e cinco no interior do Estado (Bauru, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos). Sua mão segura a caneta que distribui as verbas. No ano passado, o orçamento foi de R$ 1,2 bilhão.

USP em números, realizações e projetos

Com a máxima “Vencerás pela Ciência”, a instituição desenvolve ensino que acompanha as transformações na área do conhecimento e procura manter permanente diálogo com a sociedade, numa produtiva integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços à comunidade. Prova disso é que na USP são realizadas 30% de toda a pesquisa nacional.

Na área de extensão universitária, destaca-se a criação do Parque de Ciência e Tecnologia, no bairro paulistano da Água Funda, a fundação do Museu de Ciências e o projeto MAC Virtual que colocará à disposição do público, na Internet, as 8 mil peças do acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP).

Oferece cursos de bacharelado e de licenciatura em todas as áreas do conhecimento e está ampliando os convênios com escolas do exterior. Na pós-graduação, dez dos 23 programas nacionais receberam nota máxima atribuída pela Coordenação de Cooperação de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério de Educação. O próximo passo são os cursos à distância voltados à especialização e pós-graduação.

Claudeci Martins
(Fonte: www.usp.bre www.fuvest.br)

(AM)