USP: Metais representam risco ecológico em mananciais

Pesquisa constata que a presença de alguns metais em rios e represas do representa risco ecológico aos ambientes hídricos

ter, 30/03/2004 - 20h30 | Do Portal do Governo

A influência de metais pesados nos ambientes hídricos e em suas espécies (peixes, plantas, algas, microcrustáceos, organismos bentônicos, etc) em alguns pontos de rios e reservatórios do Estado de São Paulo é crítica, mesmo em níveis considerados ‘aceitáveis’ à saúde humana.

Enquanto os órgãos ambientais, que analisam constantemente a qualidade destas águas, estabelecem níveis de controle para a saúde da população, um estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP avaliou a influência de sete metais (Cádmio, Chumbo, Cobre, Cromo VI, Níquel, Mercúrio e Zinco ) nos ambientes hídricos para os organismos aquáticos.

‘Nossa preocupação foi verificar o quanto as espécies são diretamente prejudicadas em seu ambiente natural’, explica a pesquisadora Thaís Pinheiro Muniz, autora do estudo Avaliação de risco ecológico em ambientes hídricos no Estado de São Paulo. A pesquisa, que teve apoio da Fapesp, foi orientada pelo professor Aristides Almeida Rocha, do Departamento de Saúde Ambiental, e atual diretor da FSP.

Utilizando um programa de computador, o WERF, Thaís integrou dados de análises químicas e ecotoxicológicas fornecidos pela Cetesb referentes a um período de cinco anos (1997-2001). ‘O software nos permitiu gerar gráficos de probabilidade de ocorrências de riscos tóxicos com relação aos ambientes analisados’, conta, lembrando que o programa foi utilizado pela primeira vez no Brasil em uma avaliação desse tipo.

Os estudos foram realizados principalmente a partir de análises feitas com a Ceriodaphnia dubia, organismo aquático mais conhecido como pulga d’água. ‘Regularmente, a Cetesb faz seu trabalho de análise usando este organismo que, exposto a amostras da água, indica a presença ou não de toxicidade’, explica.

Thaís levantou as concentrações dos metais em alguns pontos do Rio Paraíba do Sul, dos reservatórios Billings e Guarapiranga, do rio Tietê, na cidade do mesmo nome e em Ibitinga, entre outros. ‘O programa gerou informações sobre a probabilidade de ocorrência de risco aos organismos aquáticos, que foi efetivamente constatado em cerca de 87% dos pontos estudados’, informa a pesquisadora. ‘Dos 30 pontos, 26 apresentaram efeitos tóxicos para a pulga d’água, durante o período avaliado’.

Pontos críticos

Entre os pontos mais graves com relação à presença de toxicidade, Thaís destaca dois na Represa Billings e um no reservatório das Graças, em Cotia. ‘Na Billings, um dos pontos apresentou 14 efeitos crônicos’, lembra

De acordo com a pesquisadora, os dados gerados pelo WERF complementam satisfatoriamente as informações da Cetesb. O estudo, segundo a pesquisadora, apresenta resultados mais precisos, principalmente com relação aos metais estudados, em relação às análises dos órgãos ambientais. ‘Apenas recentemente a CETESB incorporou em seu monitoramento um índice da proteção da vida aquática (IVA) para avaliar a qualidade das águas visando a preservação dos ecossistemas’, diz.

Thaís explica que nas análises ecotoxicológicas feitas pela Cetesb, por exemplo, quando ocorre a morte da pulga d’água, não são indicadas as causas, porque na Rede de Monitoramento da Qualidade das Águas são privilegiados índices de valor para abastecimento público e não para o organismo.

Ela relata ainda que o software, disponível no Brasil há cerca de dez anos, mas nunca utilizado nesse tipo de experimento, pode ser útil no controle de emissão de efluentes feito por indústrias. ‘Para tanto, basta que sejam inseridas informações a cerca dos elementos a serem analisados. Este programa seria então uma importante ferramenta na análise dos efluentes industriais antes ou depois do tratamento ou descarte’, garante.

Antonio Carlos Quinto – Agência USP