USP: Avaliação de casa de convivência para moradores de rua pode ajudar em novos projetos

Pesquisa foi realizada pela Faculdade de Saúde Pública

qua, 13/10/2004 - 19h06 | Do Portal do Governo

Não basta apenas disponibilizar equipamentos e espaços para o atendimento das necessidades especiais típicas dos moradores de rua. É necessário que estes recursos, tais como albergues ou serviços apropriados, sejam projetados e posteriormente avaliados quanto à sua adequação ao propósito original, para que, em última instância, possam contribuir com a reinserção social destes indivíduos. Com isso em vista, a arquiteta Beatriz Helena Bueno Brandão realizou um estudo, pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, com o intuito de identificar a utilização destes espaços de apoio.

Utilizando uma metodologia chamada de Avaliação Pós-Ocupação (APO), Beatriz analisou os problemas e as qualidades da Casa de Convivência do Projeto Integrarte, na Vila Anglo (zona Oeste da Capital), destinada a prestar serviços e colaborar para a recuperação de moradores de rua. ‘Uma das vantagens da APO é abrir a possibilidade de promover a otimização e manutenção dos espaços existentes, ao mesmo tempo em que pode proporcionar diretrizes mais adequadas para novas edificações’, diz.

Questões como segurança, salubridade e possibilidade de intervenção no ambiente de convivência mostraram-se fundamentais no trabalho de recuperação social desta população. A pesquisadora cita uma das mudanças ocorridas na Casa de Convivência durante o período de estudo, a troca de revestimento do piso de um ambiente: ‘O uso de cores claras ajuda na percepção dos indivíduos, eleva o astral do lugar, além de amenizar problemas de iluminação’.

Ela ressalta também que a possibilidade de interações deste tipo, principalmente na adaptação do edifício às necessidades específicas da população de rua, propicia um sentimento de ‘pertencimento’ aos indivíduos, essencial para o desenvolvimento da auto-estima. ‘Este trabalho não é meramente físico, mexe com a emoção. E obviamente o espaço pode contribuir muito para isso’, afirma.

Generalização

Beatriz explica que algumas destas questões podem ser generalizadas, mas algumas delas são específicas de cada edificação. Na Casa de Convivência estudada há um problema com a ventilação de alguns ambientes. Ela ressalta a importância desta questão para melhorar a qualidade de permanência nos cômodos, evitando a propagação de doenças.

Outro exemplo, a substituição do uso de toalhas de tecido por toalhas descartáveis de papel, colaborou de uma vez para a minimização da transmissão de doenças entre os usuários do espaço e a redução de gastos com água e eletricidade. Certamente é uma solução a ser implantada em outros lugares.

Essas pequenas mudanças, como a pintura de um ambiente, ou a instalação de um corrimão, têm um grande valor para essa população. E como Beatriz conclui, ‘estas questões influenciam diretamente no trabalho realizado com estas pessoas’.

Mais informações: (0XX11) 3868-1506 ou pelo e-mail biabrand@usp.br

Da Agência USP de Notícias/André Benevides/L.S.