Trens Metropolitanos: Usuários da CPTM julgam o Cangaceiro Lampião

Programação sobre a vida de Lampião tem várias etapas

qui, 17/07/2003 - 17h25 | Do Portal do Governo

Após 65 anos da sua morte em Angico, Sergipe, o chamado rei do cangaço Virgolino Ferreira, o Lampião, será julgado pela primeira vez pelos usuários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Estão sendo distribuídas 1,6 milhão de cédulas com a pergunta, ‘Lampião, bandido ou herói?’, nas estações da empresa. Depois, essas cédulas devem ser depositadas em urnas espalhadas em vários locais da estação do Brás.

Programação

Adiantando as comemorações do mês do Folclore, agosto, a programação da CPTM sobre a vida de Lampião tem várias etapas. Na segunda-feira, dia 28, uma exposição fotográfica será aberta na estação do Brás, por onde circulam diariamente cerca de 260 mil pessoas. A partir de então, também se apresentarão grupos musicais na mesma estação, interpretando músicas sobre o cangaço.

Tardes de autógrafos com autores de livros e de folhetos de cordéis também estão sendo agendadas a partir desse dia.

Num telão, ainda no Brás, filmes serão exibidos até o dia 28 de agosto, quando se prevê o encerramento da programação que contará, ainda, com o julgamento de Virgolino, no Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Esse julgamento contará com a presença de um juiz, advogados, corpo de jurados, testemunhas etc.

O Assessor Cultural da CPTM e organizador da programação, Assis Ângelo, que, nas noites de sábado, faz o programa São Paulo Capital Nordeste, apresentará entrevistas com personagens vivas do cangaço e estudiosos, além de artistas de várias áreas que trabalham o tema.

Objetivo

“O que se pretende com tudo isso”, diz Assis Ângelo, “é questionar a violência urbana de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a partir de um dos mais polêmicos personagens da nossa história, que é o pernambucano Virgolino Ferreira da Silva”.

Depoimentos de pessoas envolvidas na história do cangaço, como Deodato Sobrinho, que viu policiais (“macacos”) exibindo em praça pública, em Maceió, as cabeças dos cangaceiros mortos; Amaury Corrêa, principal biógrafo de Lampião; a filha e a neta do rei do cangaço, Expedita e Vera Ferreira, respectivamente, estão previstos.

Também estão sendo agendados depoimentos inéditos de cangaceiros, como Sinhô Pereira, único chefe de Lampião e de quem herdou o bando em 1922; além do tenente Bezerra, que comandou o cerco a Angico na madrugada de 28 de julho de 1938.

Estudioso do assunto, Assis Ângelo revela que depois do fim do bando de Lampião, nenhum cangaceiro praticou crimes de morte nos lugares por eles escolhidos para viver o resto da vida. “Há ainda vivo entre 12 e 14 cangaceiros do bando de Lampião”, garante ele.