Saúde: Instituto Central do HC economiza recursos utilizando pregão eletrônico

Substituição de materiais descartáveis por similares permanentes também pode reduzir gastos em R$ 2,6 milhões, num período de cinco anos

qui, 20/01/2005 - 13h17 | Do Portal do Governo

Economia de gastos, com a substituição de materiais descartáveis por similares permanentes. Isso é o que o pregão eletrônico e outras facilidades proporcionadas pela informática vêm permitindo no Instituto Central do Hospital das Clínicas, pertencente à Faculdade de Medicina da USP. Como resultado, o montante economizado tem sido destinado a outros setores prioritários e à compra de medicamentos.

A medida começou pelas áreas de cirurgia laparoscópica e endoscópica, que utilizam materiais de alto custo, e deve se estender para as de cirurgia geral, cirurgia de cabeça e pescoço, urologia e gastrocirurgia, entre outras. “A instituição percebeu que, só com as pinças utilizadas em laparoscopia, estava gastando de R$ 400 mil a R$ 500 mil por ano”, explica o diretor-executivo do Instituto Central, Waldemir Rezende. As equipes médicas foram consultadas e decidiram trocar 80% do material descartável por similares permanentes, que têm vida útil de até cinco anos.

Tomada a decisão e enumerados os materiais a serem substituídas, foi elaborado edital para sua aquisição por meio de pregão eletrônico. “Para nossa surpresa, esperávamos gastar R$ 380 mil e, com a utilização dessa modalidade de compra, o valor caiu para R$ 238 mil”, conta Rezende. Como ficou abaixo do programado, o edital permitiu acrescentar mais 25% de gastos ao preço de compra. Isso elevou o montante dispendido para R$ 298 mil, mas possibilitou a aquisição de quantidade ainda maior de instrumental médico.

Investimentos – O valor médio gasto anualmente pelo instituto com as pinças e demais materiais de laparoscopia e endoscopia chegava a R$ 585 mil. Com a substituição do instrumental descartável por permanente, a economia obtida atinge cerca de R$ 2,6 milhões, num prazo de cinco anos. Essa é a diferença entre o valor de R$ 2,9 milhões – quantia necessária, no mesmo período de cinco anos, para comprar os materiais descartáveis – e os R$ 298 mil efetivamente pagos para adquirir os permanentes.

Essa medida permitirá realizar investimentos em outros setores do instituto, melhorando o atendimento médico. É possível, por exemplo, adquirir materiais para aperfeiçoar o controle da infecção hospitalar, o que deve reduzir o consumo de antibióticos. Como conseqüência, outros medicamentos poderão ser obtidos. “Possibilita ainda ampliar o atendimento, sem aumentar os gastos financeiros. Trata-se de otimização dos recursos”, observa Rezende.

O diretor-executivo atribui esse tipo de medida à informatização, à conscientização e ao compartilhamento de responsabilidades. A informatização, explica, permite enxergar o conjunto da instituição, racionalizar e tornar mais eficientes os recursos. Com relação à divisão de responsabilidades, afirma que tem como prática disseminar todas as informações de preços e custos, para que tanto o auxiliar de enfermagem quanto o diretor de serviço médico saibam o valor do material que manipulam.

Exigências da Anvisa são atendidas

O pregão englobou mais de 60 tipos de pinças, trocartes e demais acessórios laparoscópicos. O modelo descartável de uma única pinça, chamada de levantador uterino, custa R$ 600. O permanente pode ser obtido por R$ 750, porém sem limite de uso, desde que bem cuidado. Uma tesoura laparoscópica descartável sai por R$ 2,8 mil, enquanto uma permanente, com garantia de dois anos, pode ser adquirida por R$ 2,2 mil.

Uma das vantagens da utilização do instrumental permanente, segundo Rezende, é que a equipe médica consegue tê-lo sempre à disposição, enquanto o descartável depende de reposição por licitação, o que é demorado. Isso permite que mais pessoas possam ser atendidas.

Com relação à qualidade e segurança desse material, Rezende explica que os instrumentos podem ser esterilizados no próprio HC, com controle de qualidade e todo o rigor técnico exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “E o fornecedor é uma empresa mundialmente reconhecida como uma das melhores fabricantes desse tipo de equipamento”, explica. Além disso, para a utilização adequada e prevenção de danos, os funcionários do Instituto Central receberão treinamento por parte da empresa vencedora do pregão.

Paulo Henrique Andrade
Da Agência Imprensa Oficial

(LRK)