São Paulo começa a beber os melhores cafés produzidos no Estado

Café tipo exportação está à disposição dos consumidores paulistas

ter, 20/01/2004 - 19h00 | Do Portal do Governo


Pela primeira vez, em 275 anos da história do café no País, o consumidor brasileiro, especialmente o paulista, pode comprar e degustar os melhores cafés produzidos no Estado de São Paulo. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara Setorial do Café, Nathan Herszkowicz, após audiência com o governador Geraldo Alckmin, na tarde desta terça-feira, dia 20, no Palácio dos Bandeirantes. “O que era exclusividade do importador estrangeiro passar a ser agora uma realidade em São Paulo.”

O secretário da Agricultura e Abastecimento, Duarte Nogueira, acrescentou que a data de hoje é histórica. “Quebrou-se o tabu de que nós brasileiros e paulistas ao produzirmos o melhor café do mundo, não tomamos ou bebemos esse café.”

A mudança do conceito de que o café bom se exporta e o ruim se consome no Brasil foi destacada também pelo governador que acrescentou: “Notamos o grande entusiasmo dos cafeicultores e o grande esforço de toda a cadeia produtiva, desde os produtores até o comércio. O nosso grande salto é selo de qualidade”. Alckmin foi enfático ao dizer que não tem dúvida de que o comércio do café paulista vai crescer “muito no mercado interno e no mundo”.

Edição Especial

As primeiras amostras dos dez cafés premiados no 2.º Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo foram levadas ao governador por cerca de 40 representantes da cadeia de produção: cooperativas, empresas, sindicatos, supermercados e produtores.

Alckmin recebeu o café número 001 da série Edição Especial que já está sendo comercializada por cinco marcas de torrefadores no Estado. “Isso só foi possível pelo apoio que temos recebido do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento”, afirmou o presidente da Câmara Setorial.

Houve um grande salto de qualidade por meio do entusiasmo dos cafeicultores, destacou o governador. Ele se disse surpreso quanto ao preço a que chegou a saca do café no leilão ocorrido no 2.º Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo. O preço mínimo por saca foi de R$ 300,00 contra R$ 165,00 praticado no mercado, o maior valor pago nos lotes foi de R$ 1.203,50 – sete vezes mais do que o preço de mercado.

“Isso mostra que o caminho da qualidade é o caminho de proporcionar renda ao produtor. O selo de qualidade é uma garantia para o consumidor, que terá o produto de altíssima qualidade no mercado interno”, enfatizou Alckmin.

“Quem sai ganhando é o consumidor, que já pode encontrar no mercado os cafés muito especiais”, disse Nathan. Ele explicou que os produtos da Edição Especial são os dez melhores cafés do Estado, selecionados entre 530 amostras recebidas no concurso no fim do ano passado.

A Edição Especial é limitada em 30 mil quilos de café, cerca de 76 mil embalagens, e devem chegar nas gôndolas dos supermercados ao preço de R$ 25,00 a R$ 30,00 o quilo para o consumidor. Cada embalagem terá o selo adesivo numerado identificando que o café é proveniente do concurso e a qualidade avaliada pelo Sindicato da Indústria de Café e pela Associação Brasileira da Indústria de Café. “Com certeza, com o apoio do Estado esse modelo muito bem sucedido, inédito, vitorioso será repetido em 2004”, concluiu Nathan.

De acordo com o secretario da Agricultura, o Estado de São Paulo produz cerca de 40% do café torrado, moído e industrializado no Brasil, o que corresponde a 4,5 milhões de sacas ao ano do total de 13 milhões de sacas produzidas no País. A previsão para este ano é que a safra paulista produza 4,7 milhões de sacas café.

Incentivos

O desenvolvimento da cafeicultura em São Paulo deve-se aos incentivos feitos pelo Governo paulista. Entre eles, o decreto que mantém, por tempo indeterminado, reduzida a carga tributária de ICMS dos produtos da cesta básica, incluindo o café torrado e moído em 7%. Em abril de 2003, foi criada a Linha de Agregação de Valor do Café junto à Secretaria da Agricultura, com juros de 4% ao ano e recursos de R$ 2,5 milhões. A linha de crédito é exclusiva a produtores com renda bruta anual de até R$ 100 mil, que assim podem adquirir equipamentos para a indústria do café, seleção e beneficiamento. Também foi criado o selo de qualidade do produto de São Paulo, que está certificando as torrefadoras de café com critérios e normas internacionais.

Lilian Santos