Rebaixamento da calha do Tietê evita transbordamento

Mesmo com chuvas mais fortes do que no ano passado, rio não saiu da calha nenhuma vez neste verão

qui, 06/02/2003 - 15h50 | Do Portal do Governo


As obras de contenção de enchentes na Região Metropolitana de São Paulo, como a segunda etapa do rebaixamento da calha do Rio Tietê e a construção de piscinões, já apresentam resultados importantes. Nenhum caso de transbordamento do Rio Tietê ocorreu nos últimos dias, apesar das fortes chuvas que vêm castigando a Capital.

Neste verão, a quantidade de chuva tem sido maior em comparação ao ano passado, mas a ampliação da vazão do Rio Tietê possibilitou que ele comporte um maior volume de água. Os trabalhos de rebaixamento da calha estão dentro do cronograma, com 33% de execução.

Até outubro deste ano, a meta é atingir 60% das obras realizadas. ‘Daí, o prazo de recorrência para haver um transbordamento passará a ser de 25 anos’, informou o governador Geraldo Alckmin, após vistoriar os trabalhos de rebaixamento, nesta quinta-feira, dia 6. Este prazo de recorrência citado pelo governador leva em consideração índices estatísticos da Secretaria de Recursos Hídricos, obtidos desde 1926.

A conclusão das obras está prevista para o segundo semestre do ano que vem. No final, o prazo de recorrência para que o rio saia da calha será de 100 anos. De acordo com Alckmin, é impossível afirmar que não ocorrerá mais transbordamento no leito do Tietê. ‘Mas só uma chuva que costuma ocorrer no prazo de 100 anos será capaz de causar uma inundação’, afirmou.

O secretário de Energia, Recursos Hídricos, Saneamentos e Obras, Mauro Arce, anunciou que para o próximo verão o rebaixamento deverá estar 75% concluído. ‘Vamos conseguir uma velocidade maior nas obras a partir de abril, quando começa uma estação seca,’, analisou.

A segunda etapa do rebaixamento da calha do Tietê irá aprofundar em média 2,5 metros do rio, numa extensão de 24,5 quilômetros, entre o Cebolão e a barragem da Penha. Para isso, estão sendo realizadas detonações em todo o trecho, com a previsão da retirada de 6,8 milhões de metros cúbicos de solos e rochas.

O investimento desta etapa é de R$ 688,3 milhões, sendo R$ 498 milhões financiados pelo JBIC (Japan Bank International Cooperation) e R$ 190,3 milhões pelo Governo do Estado. A primeira fase, concluída em dezembro de 2000, aprofundou 16 quilômetros da calha, entre o Cebolão e a barragem Edgard de Souza.

Mais piscinões

O Governo do Estado iniciará a construção de mais quatro piscinões, sendo dois na bacia do Pirajussara e dois na bacia do Tamanduateí. Alckmin disse que os contratos foram assinados e a ordem de serviço está dada. ‘Esperamos nos próximos dez dias instalar os canteiros de obra’, afirmou.

No córrego do Pirajussara, um dos piscinões será implantado na cidade de São Paulo, em terreno doado pela Prefeitura. O outro em Taboão, em terreno da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Já na bacia do Tamanduateí, os reservatórios estarão localizados em São Bernardo do Campo, no córrego dos Meninos, e em Mauá, no córrego do Oratório, divisa com São Paulo. ‘Também está em licitação a construção de mais um piscinão em São Caetano do Sul’, informou o governador.

Mauro Arce lembrou que além destes que serão construídos, o Governo do Estado já colocou dois piscinões em operação no Pirajussara, nos municípios de Taboão e Embu, e há outro em execução na cidade de Taboão da Serra. No Tamanduateí, Arce afirmou que outros dois piscinões estão em fase de conclusão.

Rogério Vaquero