Pesquisa: Descoberta pode contribuir na compreensão do grupo dos transmissores de leishmaniose

Novidade pode contribuir no estudo da evolução do grupo dos flebotomíneos

qui, 17/07/2003 - 20h46 | Do Portal do Governo

Pesquisadores da USP, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Piauí (UFPI) descobriram no Piauí um novo tipo de inseto, nunca antes relatado. A nova espécie, denominada Edentomya piauiensis, foi encontrada na caverna Cristovinho, no município de Picos, na região leste daquele estado.

A novidade pode contribuir no estudo da evolução do grupo dos flebotomíneos, conhecidos popularmente como ‘mosquito-palha’, e na compreensão e busca pela cura dos vários tipos de leishmaniose.

Apesar de ainda não haver indícios de que este novo inseto seja transmissor de algum tipo de moléstia, algumas espécies de flebotomíneos transmitem leishmanioses -doenças causadas por protozoário do gênero Leishmania – além de alguns vírus. ‘Na América, existem 470 espécies de flebotomíneos descritos. Deste total, cerca de 10% podem atuar na transmissão de leishmaniose’, explica Eunice Aparecida Bianchi Galati, da Faculdade de Saúde Publica (FSP) da USP e uma das cientistas envolvidas na pesquisa.

Pelo fato de o inseto descoberto ser primitivo, ele pode proporcionar informações sobre a evolução dos flebótomos. ‘A inclusão desta espécie em estudo por técnicas moleculares ajudará a encontrar a sua relação com os demais grupos de flebotomíneos do mundo. Para saber se este inseto tem alguma relação com a transmissão da doença existe a necessidade de estudos sobre o seu comportamento por um determinado período’, lembra a pesquisadora.

Eunice explica que as leishmanioses podem ocorrer na forma de úlceras na pele e/ou mucosa, ou na forma visceral. Dependendo do parasita e de características do infectado, as formas cutâneas, em alguns casos, podem evoluir para a forma mucosa, levando à sua destruição com deformações permanentes. A forma visceral, quando não tratada precoce e adequadamente pode levar o infectado à morte.

Espécie primitivaJuliana Kiyomura Moreno – Agência USP