Justiça: Mais um quilombo é reconhecido pelo Itesp

No próximo dia 25, a Câmara de Capivari vai anunciar o reconhecimento da comunidade como quilombo

sex, 30/04/2004 - 17h09 | Do Portal do Governo

No dia 16 de abril, a comunidade Capivari, no município de mesmo nome, foi reconhecida oficialmente como remanescente de quilombo. Por meio de um relatório técnico-científico, a Fundação Instituto de Terras (Itesp), entidade vinculada à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, chegou à conclusão de que não há dúvidas quanto à origem quilombola da comunidade.

Localizado a 18 km da cidade, o quilombo tem 6,93 hectares e pertence aos descendentes de escravos da região há mais de 100 anos. Atualmente, apenas três mulheres residem no terreno, mas os descendentes da família que deu origem ao quilombo residem nas proximidades. Alguns moram nas cidades de Capivari e Sorocaba e procuram manter vivas suas raízes, que estão ligadas à comunidade quilombola.

A decisão de buscar o reconhecimento faz parte de uma série de iniciativas de líderes negros e descendentes da comunidade. O objetivo é resgatar a cultura negra da região. No dia 24 de maio será realizada uma solenidade, na Câmara Municipal de Capivari, para anunciar à cidade o reconhecimento da comunidade como quilombo.

Essa solenidade faz parte da Semana da África, evento criado por lideranças negras da região. Além do anúncio oficial do reconhecimento do quilombo, os organizadores farão uma apresentação na cidade de São Paulo no dia 25 de maio. De 26 a 30 de maio, palestras e atividades culturais serão realizadas em Capivari.

Curiosidade

Alguns ritos, que fazem parte dos costumes da comunidade Capivari, conhecidos como Trabalho da Laje, formaram a religião dos quilombolas e eram seguidos com afinco. De acordo com a pesquisa realizada pelo Itesp, o Trabalho da Laje é uma variação umbandista. Atualmente, esses rituais não são realizados, mas há interesse em resgatar essa manifestação cultural como forma de preservar a identidade dos descendentes do Quilombo Capivari.

Já existem 17 comunidades reconhecidas no Estado de São Paulo, por meio de trabalhos técnicos desenvolvidos pelo Itesp. O reconhecimento oficial é o primeiro passo para garantir aos remanescentes de quilombos o direito constitucional à posse da terra por eles ocupada.

Mara Rovida
Da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania