Itesp: Assentado escolhe a arte para expressar a vida no campo

Artista utiliza técnicas que aprendeu praticamente sozinho, estudando as obras dos grandes mestres

seg, 05/01/2004 - 18h42 | Do Portal do Governo

A casa de Cláudio Rodrigues de Jesus, 36 anos, no assentamento gleba 15 de Novembro, surpreende os visitantes. Quadros e mais quadros pendurados nas paredes, espalhados pelos cantos ou em cavaletes recebendo os retoques finais.

Com o apoio da Fundação Instituto de Terras (Itesp), entidade vinculada à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, Cláudio expõe suas obras em vários eventos pelo Estado. Uma das telas preferidas do público é a surrealista Três Mulheres em Festa.

O artista utiliza técnicas que aprendeu praticamente sozinho, estudando as obras dos grandes mestres. Ele se dedica à pintura desde à infância, sonha em fazer um curso superior de Educação Artística e promover oficinas de arte para crianças dos assentamentos de todo o Estado.

Os estilos são variados, misturados pelo artista para expressar o cotidiano da vida no campo: “A paisagem natural expõe felicidade, a água brotando da rocha, a flor.

Já para mostrar como é viver no assentamento, com tantas alegrias e tristezas, eu uso o surrealismo, que me permite colocar todos esses sentimentos num só quadro”.

Tradições culturais

Morando desde 1987 no lote do pai, no município de Euclides da Cunha, região do Pontal do Paranapanema, Cláudio investe boa parte do salário que recebe como inspetor de alunos, na escola do assentamento, na compra de telas, molduras, pincéis e tintas.

O amor pela arte se expressa também no capricho com que faz serviços esporádicos de pintor letrista ou ao colocar no filho o nome de Donatello, importante escultor florentino do século 15.

A Fundação Instituto de Terras busca valorizar as manifestações culturais e artísticas das comunidades assentadas e quilombolas do Estado. Assim como as obras de Cláudio Rodrigues, outros trabalhos artesanais e artísticos são expostos ou mesmo comercializados nos eventos promovidos pela instituição. Para muitas comunidades, o resgate de suas tradições culturais é fundamental para a construção da própria identidade e para o exercício da cidadania.

Da Assessoria de Imprensa da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania – Da Agência Imprensa Oficial