Fapesp: Banco de extratos de plantas vai ajudar na busca de novos medicamentos

Extratos primários já deram origem a 40 mil compostos

qua, 15/09/2004 - 21h25 | Do Portal do Governo

A Extracta Moléculas Naturais, do Rio de Janeiro, tornou-se a primeira empresa privada a conseguir autorização especial para extrair plantas das matas brasileiras com potencial medicinal, dada no final de junho pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen), do Ministério do Meio Ambiente. ‘A apreciável coleção de extratos de vegetais que já tínhamos acumulado ganha nova legitimidade a partir do reconhecimento do conselho de que a maneira pela qual foi obtida é tecnicamente e eticamente correta’, diz Antônio Paes de Carvalho, fundador e presidente da Extracta.

Com a autorização a empresa, criada em 1998 na Fundação Pólo Bio-Rio, a incubadora de empreendimentos em biotecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), poderá ampliar seu banco de extratos primários obtidos de várias partes das plantas (raiz, caule, folhas e frutos). Hoje eles somam 12 mil e têm como origem cerca de 5 mil espécies diferentes de plantas provenientes da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica, que correspondem a quase 10% de toda a flora brasileira, estimada entre 55 mil e 60 mil espécies.

Esses extratos primários já deram origem a 40 mil compostos, disponíveis para clientes interessados em usar substâncias, com potencial para se transformar em novos medicamentos, encontradas na rica biodiversidade brasileira. Um desses clientes é a multinacional de origem britânica GlaxoSmithKline, que em 1999 fechou um contrato com a empresa de biotecnologia, no valor de US$ 3,2 milhões.

A primeira parte do acordo, encerrada em 2002, envolveu a busca de substâncias capazes de reagir contra oito alvos biológicos definidos pela multinacional. Na atual fase, as escolhas foram direcionadas para o desenvolvimento de dois medicamentos com atividade antibiótica, um para combater o Staphylococcus aureus , bactéria de grande agressividade na infecção hospitalar, e outro para inibir a elastase, uma enzima que nas doenças pulmonares obstrutivas crônicas age nas fibras elásticas, enfraquecendo-as e destruindo-as.

A empresa tem ainda contratos com mais quatro clientes industriais, dois nacionais e dois internacionais, que, segundo Carvalho, não podem ser revelados por conta de cláusula de sigilo. ‘O contrato com a multinacional britânica tornou-se público durante a CPI dos medicamentos, quando a Glaxo se defendeu da acusação de fazer apenas comércio em território nacional, e nenhuma pesquisa, mostrando o acordo com a Extracta’, diz Carvalho, ex-diretor do Instituto de Biofísica da UFRJ e hoje professor emérito da universidade.

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Dinorah Ereno – Agência Fapesp