Fapesp: Astrofísicos descrevem evolução de jatos de gases com 10 anos-luz de comprimento

Imagem que aparece na tela do computador lembra o movimento de um cometa

seg, 21/07/2003 - 17h07 | Do Portal do Governo

A imagem que aparece na tela do computador lembra o movimento de um cometa – um enorme rastro brilhante e colorido, que parece rasgar o céu. Mas param aí as semelhanças entre essas nuvens de gelo e poeira que viajam ao redor do Sol e os jatos supersônicos astrofísicos – nuvens de gases ejetadas violentamente por estrelas em formação e por núcleos de galáxias distantes e muito brilhantes chamadas quasares. Os jatos liberados pelas protoestrelas – estrelas em formação – viajam a uma velocidade próxima dos 400 quilômetros por segundo, o equivalente a dezenas de vezes a velocidade do som no meio interestelar, e podem atingir um comprimento de até dez anos-luz (um ano-luz corresponde a 9,5 trilhões de quilômetros).

Já os jatos extragalácticos se movem a velocidades próximas à da luz (300 mil quilômetros por segundo) e se estendem por milhões de anos-luz, o equivalente a dezenas de vezes o diâmetro de nossa galáxia, a Via-Láctea. ‘Os jatos carregam as impressões digitais de embriões de estrelas’, afirma Elisabete de Gouveia Dal Pino, uma das coordenadoras de uma equipe do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), que há dez anos vem estudando a origem, o comportamento e as peculiaridades desses objetos celestes. ‘À medida que desvendamos seus enigmas, conseguimos entender melhor como as estrelas se formam.’ E, lembre-se, da fusão de elementos químicos no interior das estrelas é que surgiu a matéria-prima de todo ser vivo. Portanto, investigar os jatos e as estrelas significa buscar nossas origens mais remotas.

O grupo da USP, coordenado por Elisa-bete e por Jorge Horvath, vem obtendo resultados pioneiros no estudo dos fenôme-nos astrofísicos de alta energia, que incluem o mecanismo de explosões de supernovas, estrelas de nêutrons e surtos de raios gama. No ano passado, os pesquisadores paulistas surpreenderam europeus e norte-americanos que atuam na mesma área ao concluírem a primeira simulação hidrodinâmica em computador de um jato gigante protoestelar bastante estudado, o HH-34, localizado ao sul da nebulosa de Órion, a cerca de 1.600 anos-luz da Terra. O universo recriado no computador revelou: o HH-34 é daquele tipo de jatão imenso, com cerca de 10 anos-luz de ponta a ponta.

Leia a matéria completa no site da

Francisco Bicudo – Revista Fapesp
-C.M.-