Dia Mundial do Meio Ambiente: Instituto Florestal divulga novo inventário de áreas reflorestadas em

O inventário florestal foi divulgado nesta quinta-feira, dia 5, pelo secretário do Meio Ambiente, José Goldemberg

qua, 05/06/2002 - 18h39 | Do Portal do Governo

O Estado de São Paulo possui 3,1% de seu território coberto com áreas de reflorestamento. São 770.010 hectares, sendo 611.516 hectares (79,4%) com Eucalyptus e 158.494 hectares (20,6%) com Pinus. Esta é a conclusão do Inventário Florestal das Áreas Reflorestadas no Estado de São Paulo, divulgado nesta quinta-feira, dia 5, pelo secretário estadual do Meio Ambiente, professor José Goldemberg.

Durante a apresentação, que fez parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente celebrado nesta data, Goldemberg assinou também uma resolução que estabelece as diretrizes para a pesquisa ambiental dos Institutos de Botânica, Florestal e Geológico, subordinados à Coordenadoria de Informações, Documentação e Pesquisa Ambiental – CINP, da Secretaria do Meio Ambiente.

Com a nova orientação, essas instituições terão o compromisso de subsidiar a resolução das questões ambientais que mais afetam a sociedade. Passarão também a formular programas comuns de pesquisa, principalmente nas áreas de conservação da biodiversidade, caracterização e recuperação de áreas degradadas e recursos hídricos.

O secretário lembrou que, aproveitando o ensejo da Semana do Meio Ambiente, o governador Geraldo Alckmin vai assinar nesta sexta-feira, dia 7, decreto promovendo o Horto Florestal Navarro de Andrade, localizado em Rio Claro, à condição de Floresta Estadual, proporcionando novos instrumentos de gestão.

Anunciou ainda a intenção de criar 400 novos cargos de vigias florestais e dirigentes de unidades de conservação e a proposta de implantação de conselhos comunitários municipais para participar da gestão dos parques e reservas florestais do Estado.

Inventário Florestal

A solenidade de apresentação do inventário florestal, realizada no Auditório Augusto Ruschi, contou com a presença do diretor do Instituto Florestal, Valdir De Cicco, do presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS, Nelson Barboza Leite, e do coordenador do Programa BIOTA-FAPESP, Carlos Alfredo Joly, que participaram desse trabalho, com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE.

O diagnóstico, elaborado pelo Instituto Florestal dentro do Programa BIOTA-FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), constitui uma ferramenta importante para a análise e o planejamento do setor florestal. ‘Nesse trabalho foram quantificadas todas as áreas reflorestadas e disponibilizadas informações de acordo com as necessidades do setor usuário’, disse o professor José Goldemberg.

‘Este diagnóstico possibilita o monitoramento da matéria-prima florestal mediante análises em intervalos de tempo regulares, com o propósito de estudar a dinâmica de mudanças’, complementou o secretário referindo-se à base digital de imagens orbitais de 1999 e 2000, formatada em ambiente SIG – Sistema de Informações Geográficas, que constitui uma fonte fundamental de referências para subsidiar diretrizes e políticas governamentais para ao setor.

Os dados, comparados com os do inventário anterior, elaborado em 1991-1992, revela que houve um recuo de 18,3%, que corrrespondem a 35.560 hectares, na área plantada com Pinus, enquanto a área de Eucalyptus manteve-se estável. O Estado, hoje, possui mais de 4 milhões de hectares de cobertura vegetal, sendo 3,3 milhões de hectares de vegetação natural, representando 13,4% do território estadual.

Distribuição geográfica

Segundo o inventário, a Região Administrativa de Sorocaba concentra 42,3% (326.070 hectares), de toda a área reflorestada no Estado. Desse total, 92.664 hectares são de Pinus, correspondendo a 58,5% dos 158.494 hectare cultivados no Estado. As regiões administrativas de Araçatuba, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Marília são as que apresentam índices insignificantes de áreas reflorestadas.

O inventário mostra ainda a distribuição das áreas pelas 22 bacias hidrográficas que compõem o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, sobressaindo-se as do Médio Paranapanema, com 30,1% do total de áreas reflorestadas; Médio Paranapanema, com 11.5%; Paraíba do Sul, com 10,2%; Mogi-Guaçu, com 8,4%; Tietê-Jacaré, com 7,7%; Piracicaba-Capivari-Jundiaí, com 7,1%; Sorocaba-Médio Tietê, com 6,5%; e Alto Tietê, com 6,0%.

Pólos de reflorestamento

O inventário, que constitui um instrumento de análise do potencial econômico do setor, identifica as maiores concentrações de reflorestamento indicando a superfície, espécies, idade, formas de manejo (rotação, desbastes) e vinculação (detentores ou proprietários), além da infra-estrutura viária, limites municipais e perímetros urbanos.

Foram delimitados cinco pólos de reflorestamento, como essas concentrações foram denominadas: Botucatu-Itatinga-Agudos, com 163.210 hectares de área reflorestada; Itapeva-Capão Bonito-Buri, com 125.829 hectares; Bragança Paulista-Salesópolis-Campos do Jordão, com 149.821; Itapetininga-Pilar do Sul-Sorocaba, com 98.589 hectares; e Itirapina-Luís Antônio-Mogi-Guaçu, com 135.583 hectares.

O estudo revela, ainda, que as espécies de eucaliptos predominantes são a E. grandis e E. saligna e as de Pinus são a P. elliottii. As áreas de Pinus apresentam plantios com idade superior a 25 anos, indicando a predominância de plantios adultos e reduzidas áreas com exemplares mais novos.

O inventário florestal constitui a base de informações para a formulação de uma política governamental, não apenas em seu aspecto econômico, como também para a conservação e seqüestro de carbono atmosférico, responsável por alterações no clima.

O estudo salienta que os sistemas florestais são os principais sorvedouros terrestres desse gás, cujas emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis preocupam todas as nações, especialmente após as discussões na Rio 92.

Renato Alonso
Da Secretaria do Meio Ambiente